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É assim que a gente fala

por blogdobesnos, em 03.04.12

O nome do cordelista é Ismael Gaião da Costa, nasceu em Recife-PE.
Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE – Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.


Publicou 20 (vinte) “Cordéis” e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).
É filiado à UNICORDEL – União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores.


Assina a Coluna COLCHA DE RETALHOS, no JORNAL DA BESTA FUBANA – uma gazeta da bixiga lixa (Blog), Condado-PE, em 07 de maio de l961. Reside no (www.luizberto.com), publicando poesias, prosas e contos, diariamente.


Ganhador da 4ª RECITATA – 2009(concurso de poesia declamada) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com nota 10 (dez) no Júri Popular, declamando a poesia MENINO DE RUA.

 

Ele tem um sitio no seguinte endereço:  http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=50436

 

E o endereço para o cordel é: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/1496943

 

 

É assim que a gente fala

 

 

Ismael Gaião da Costa

 

 


Há diferenciação


Porque cada região


Tem seu jeito de falar


O Nordeste é excelente


Tem um jeito diferente


Que a outro não se iguala


Alguém chato é Abusado


Se quebrou, Tá Enguiçado


É assim que a gente fala


 
Uma ferida é Pereba


Homem alto é Galalau


Ou então é Varapau


E coisa ruim é Peba


Cisco no olho é Argueiro


O sovina é Pirangueiro

 

Enguiçar é Dar o Prego


Fofoca aqui é Fuxico


Desistir, Pedir Penico


Lugar longe é Caxaprego


Ladainha é Lengalenga


E um estouro é Pipoco


Qualquer botão é Pitoco


E confusão é Arenga

 

Fantasma é Alma Penada


Uma conversa fiada


Por aqui é Leriado


Palavrão é Nome Feio


Agonia é Aperreio


E metido é Amostrado


O nosso palavreado


Não se pode ignorar


Pois ele é peculiar


É bonito, é Arretado


E é nosso dialeto


Sendo assim, está correto

 

Dizer que esperma é Gala


É feio pra muita gente


Mas não é incoerente


É assim que a gente fala

 

 

 
Você pode estranhar


Mas ele não tem defeito


Aqui bala é Confeito


Rir de alguém é Mangar

 

Mexer em algo é Bulir


Paquerar é Se Inxirir


E correr é Dar Carreira


Qualquer coisa torta é Troncha


Marca de pancada é Roncha


E a caxumba é Papeira


Longe é o Fim do Mundo


E garganta aqui é Goela


Veja que a língua é bela


E nessa língua eu vou fundo


Tentar muito é Pelejar


Apertar é Acochar

 

Homem rico é Estribado


Se for muito parecido


Diz-se Cagado e Cuspido


E uma fofoca é Babado


Desconfiado é Cabreiro


Travessura é Presepada


Uma cuspida é Goipada


Frente de casa é Terreiro

 

Dar volta é Arrudiar


Confessar, Desembuchar


Quem trai alguém, Apunhala


Distraído é Aluado


Quem está mal, Tá Lascado


É assim que a gente fala

 

 

 
Aqui valer é Vogar


E quem não paga é Xexeiro


Quem dá furo é Fuleiro


E parir é Descansar


Um rastro é Pisunhada


A buchuda é Amojada


E pão-duro é Amarrado

 

Verme no bucho é Lombriga


Com raiva Tá Com a Bixiga


E com medo é Acuado


Tocar em algo é Triscar


O último é Derradeiro


E para trocar dinheiro


Nós falamos Destrocar

 

Tudo que é bom é Massa


O Policial é Praça


Pessoa esperta é Danada


Vitamina dá Sustança


A barriga aqui é Pança


E porrada é Cipoada
 
Alguém sortudo é Cagado


Capotagem é Cangapé


O mendigo é Esmolé


Quem tem pressa é Avexado


A sandália é Percata


Uma correia, Arriata


Sem ter filho é Gala Rala


O cascudo é Cocorote


E o folgado é Folote


É assim que a gente fala

 

 

 
Perdeu a cor é Bufento


Se alguém dá liberdade


Pra entrar na intimidade


Dizemos Dar Cabimento


Varrer aqui é Barrer


Se a calcinha aparecer


Mostra a Polpa da Bunda


Mulher feia é Canhão


Neco é pra negação


Nas costas, é na Cacunda
 
Palhaçada é Marmota


Tá doido é Tá Variando


Mas a gente conversando


Fala assim e nem nota


Cabra chato é Cabuloso


Insistente é Pegajoso


Remédio aqui é Meisinha


Chateado é Emburrado


E quando tá Invocado


Dizemos Tá Com a Murrinha
 
Não concordo, é Pois Sim


Tô às ordens é Pois Não


Beco ao lado é Oitão


A corrente é Trancilim


Ou Volta, sem o pingente


Uma surpresa é, Oxente!


Quem abre o olho Arregala


Vou Chegando, é pra sair


Torcer o pé, Desmintir


É assim que a gente fala
 
A cachaça é Meropéia


Tá triste é Acabrunhado


O bobo é Apombalhado


Sem qualidade é Borréia


A árvore é Pé de Pau


Caprichar é Dar o Grau


Mercado é Venda ou Bodega


Quem olha tá Espiando


Ou então, Tá Curiando


E quem namora Chumbrega
 
Coceira na pele é Xanha


E molho de carne é Graxa


Uma pelada é um Racha


Onde se perde ou se ganha


Defecar se chama Obrar


Ou simplesmente Cagar


Sem juízo é Abilolado


Ou tem o Miolo Mole


Sanfona também é Fole


E com raiva é Infezado
 
Estilingue é Balieira


Uma prostituta é Quenga


Cabra medroso é Molenga


Um baba ovo é Chaleira


Opinar é Dar Pitaco


Axilas é Suvaco


E cabra ruim é Mala


Atrás da nuca é Cangote


Adolescente é Frangote


É assim que a gente fala

 

 

 
Lugar longe aqui é Brenha


Conversa besta, Arisia


Venha, ande, é Avia


Fofoca é também Resenha


O dado aqui é Bozó


Um grande amor é Xodó


Demorar muito é Custar


De pernas tortas é Zambeta


Morre, Bate a Caçuleta


Ficar cheirando é Fungar


A clavícula aqui é Pá


Um mal-estar é Gastura


Um vento bom é Frescura


Ali, se diz, Acolá


Um sujeito inteligente


Muito feio ou valente


É o Cão Chupando Manga


Um companheiro é Pareia


Depende é Aí Vareia


Tic nervoso é Munganga
 
Colar prova é Filar


Brigar é Sair no Braço


Nosso lombo é Ispinhaço


Faltar aula é Gazear


Quem fala alto ou grita


Pra gente aqui é Gasguita


Quem faz pacote, Embala


Enrugado é Ingilhado


Com dor no corpo, Ingembrado


É assim que a gente fala
 
Um afago é Alisado


Um monte de gente é Ruma


Pra perguntar como, é Cuma


E bicho gordo é Cevado


A calça curta é Coronha


Um cabra leso é Pamonha


E manha aqui é Pantim


Coisa velha é Cacareco


O copo aqui é Caneco


E coisa pouca é Tiquim
 
Mulher desqualificada


Chamamos de Lambisgóia


Tudo que sobra, é Bóia


E muita gente é Cambada


O nariz aqui é Venta


A polenta é Quarenta


Mandar correr é Acunha


Ter um azar é Quizila


A bola de gude é Bila


Sofrer de amor, Roer Unha
 
Aprendi desde pivete


Que homem franzino é Xôxo


Quem é medroso é um Frouxo


E comprimido é Cachete


Sujeira em olho é Remela


Quem não tem dente é Banguela


Quem fala muito e não cala


Aqui se chama Matraca


Cheiro de suor, Inhaca


É assim que a gente fala

 

 

 
Pra dizer ponto final


A gente só diz: E Priu


Pra chamar é Dando Siu


Sem falar, Fica de Mal


Separar é Apartá


Desviar é Ataiá


E pra desmentir é Nego


Quem está desnorteado


Aqui se diz Ariado


E complicado é Nó Cego


Coisa fácil é Fichinha


Dose de cana é Lapada


Empurrão é Dá Peitada


E o banheiro é Casinha

 

Tudo pequeno é Cotoco


Vigi! Quer dizer, por pouco


Desde o tempo da senzala


Nessa terra nordestina


Seu menino, essa menina!


É assim que a gente fala

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publicado às 23:49

Chaplin, 121 anos

por blogdobesnos, em 03.04.12

Charles Chaplin,

 

nascido em 16 de abril de 1889

 

e falecido em 25 de dezembro de 1977, completaria hoje 121 anos.

 

 

Impossível alguém completar 121 anos,

 

a não ser que seja imortal.

 

Por isso mesmo, Chaplin, hoje completaria 121 anos.

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publicado às 22:06

Burrice e/ou ignorância. Ou seria o contrário?

por blogdobesnos, em 03.04.12

Ignora quem desconhece algo; logo, somos ignorantes em relação àquilo que não aprendemos. Por outro lado, a ignorância só pode ser revertido graças ao processo de aprendizagem. Muitas vezes confundimos conceitos: se uma pessoa não estudou em uma escola, ou universidade, ou faculdade, ela é ignorante em relação àquilo que possivelmente teria aprendido se na escola, universidade ou faculdade tivesse estudado, e só.  Simples assim.  Uma pessoa pode ser educada, mas igualmente pode ser cínica e arrogante. Portanto, temos de revisar conceitos.

 

Já alguém pode ter algumas dificuldades cognitivas, o que não é, em princípio nenhum demérito. Significa, em suma, que o processo de aprendizagem em relação àquela pessoa não está alcançando seus objetivos ou que ela tenha algumas situações psico sociais que dificultem ou mesmo impeçam tal aprendizagem no ritmo estabelecido, de antemão, pela escola. De todo modo, em princípio, tudo passível de estudos, de flexibilidade, de adaptação.

 

Muitas vezes a ignorância é confundida com a arrogância; suas naturezas, contudo, são distintas. A arrogância é presunção, insolência, segundo The Free Dictionary (http://pt.thefreedictionary.com/arrog%C3%A2ncia); soberbo, altivo, orgulhoso, insolente, pretencioso, atrevido, de acordo com o dicionário online de português (http://www.dicio.com.br/arrogante/asa). A ignorância, contudo, é  a falta geral de conhecimento, de saber, de instrução, o estado de quem ignora (http://www.dicio.com.br/ignorancia/).  Não raro a prepotência arrogante é confundida com a ignorância; na verdade a abriga inúmeras vezes. O arrogante, normalmente, tem um comportamento agressivo, por lhe faltar, muitas vezes, o conhecimento, as condições reais de argumentação qualificada exigidas, por exemplo, em uma situação na qual seja necessário o convencimento de terceiros. Esconde, assim, o não-conhecimento. A ignorância, embora possa encastelar-se de maneira razoavelmente confortável na arrogância, com a mesma não se confunde; antes, a última é útil à primeira.

 

Nos meios denominados cultos, com acesso ao saber, se nota isso claramente; há doutos, mestres, especialistas e professores extremamente arrogantes. Aqui, a mesma funciona como um divisor social, algo que está dizendo: “eu sei mais do que você, portanto, sou superior à você”. Premissa discutível, conclusão sem sentido. A arrogância é uma doença social, endêmica, com o apetite de um divisor territorial. “Não me incomode”, diria o pretencioso insolente, “minha graduação e meu conhecimento são superiores, são maiores que os seus.” Argumento de fantoche, pura desinteligência cognitiva e social a retroalimentar um sistema de castas e de tristes e duvidosas exclusividades que insuflam egos e fomentam distanciamentos de todo indesejáveis. Contrário da solidariedade, contrário da aprendizagem, a arrogância se subsume a ela própria. Assim, de tal maneira e por isso a arrogância não é privativa da ignorância, mas pode ser localizada entre aqueles que, por circunstâncias variadas, tiveram maior acesso e oportunidades dentro de uma sociedade pautada pela aparência e pela hipocrisia.

 

A burrice, contudo, não é a ignorância, mas, sim, um simulacro, uma estupidez com uma aparência pretensamente educada. Novamente o dicionário esclarece: burrice é estupidez, besteira, asneira, burrada, casmurrice, amuo, teimosia (http://www.dicio.com.br/burrice/).  A burrice é nutrida pela indolência, pela teimosia, pela preguiça, ao qual se adicionará, a resistência a sair da área de conforto cognitivo. A burrice é paralisante, de tal modo que não poucas vezes é confundida com a autonegligência. A pessoa se habitua à sua burrice porque aceitou passivamente o estigma do qual é partícipe. Assim, quem se entende burro, assim se entende por assumir sua passividade, embora, inegavelmente, isso atinja sua auto-estima. Esse incomodo, contudo, ainda não é suficiente para retirá-la da sua zona de conforto e pô-la em processo de aprendizagem, enfim, movê-la em direção a um objetivo pessoal ou social. Toda aprendizagem implica em um movimento, em um vir-a-conhecer, em um desafio que confronta a inação mental e física.

 

Há, portanto, de distinguir-se esses três eixos, confundidos no cotidiano. Ignorância, burrice e arrogância são três infelicitações que  mais não fazem do que interferir negativamente no processo de aprendizagem, no relacionamento social e no acesso aos meios de cultura.  Confrontamos com os mesmos todo o dia, no fazer pedagógico, nas relações que o currículo oculto revela mas que fazemos, por comodidade, questão de ignorar.  Desconfio fortemente que quando não nos envolvemos na discussão sincera e aberta com o aluno de tais conceitos, somos mais do que burros, ignorantes e arrogantes: talvez uma mistura dos três, mas especialmente somos não-solidários e omissos. Pequenos pecados do dia-a-dia? Não, absolutamente: a omissão, o descaso igualmente viciam, trazendo como primeira vítima a autenticidade, o falar com propriedade. Talvez por aí possamos compreender melhor o que significa a crise de autoridade que vivenciamos, a carência de líderes e a inconsistência de nossos argumentos. Pensar em tais fatos pode nos levar a concretizar decisões que gravitam em uma densidade e uma tensão da qual queremos, confortavelmente, fugir.

 

Admitamos: somos todos um pouco burros, um pouco ignorantes, um pouco arrogantes. Mas tem gente que é bem mais. Não nos coformemos, contudo; embora a pós-modernidade pregue em tudo o individualismo, resistamos e banquemos La Passionaria. O mundo, de modo geral, agradece.

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publicado às 22:04

É, eu sei

por blogdobesnos, em 03.04.12

É, senti muitas vezes, eu sei. Vem como uma vaga, indefinida melancolia do que efetivamente não foi vivido, mas cuja saudade arde como álcool em uma ferida aberta. Acerca-se lentamente, mas de modo absoluto, uma vontade de retornar no tempo, de encontrar de novo situações, imagens que vivem na minha mente, mímicas de títeres portenhos, de cheiros e de cores de ruas perdidas, entre becos de Buenos Aires e calles de Montevideo. Ali, bem ali, tangos se enovelando em si próprios, em enfumaçadas noites entre vapores de vinho, de cerveja, tabaco dominando o ar. Homens e mulheres nem sempre belos, mas intensamente envolvidos na própria dança, no ritmo, sedentos todos em um salão de danças que somente em sonhos vi.

 

Manhãs varando madrugadas, sóis despedaçando-se contra vidraças úmidas de emanações viciosas dos perfumes e corpos orientando-se em meio às maravilhosas canções cubanas, argentinas, uruguaias, cada rosto revelando um drama, meneando de sensualidades, de histórias de vida reais. Sensações não conhecidas que me habitam, toques de pele e olhos; saudades indefinidas do que não vivi, mas que me acompanha como raízes me trazendo de volta para o desconhecido que sempre esteve em mim.

 

Melancolia, tênue e firme condutora das minhas saudades, dos momentos em que não esquecemos, dos divisores de alma, dos despertares noturnos. Vontade de apartar-me de mim mesmo e de vagar, errar como um barco que, em meio à escuridão, encontra a calmaria e cansado da espera, depõe suas velas.

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publicado às 21:59

Pessach - A boca que fala

por blogdobesnos, em 03.04.12

Por Iehuda Gitelman, líder espiritual do Centro Israelita

 

Entre as muitas interpretações da palavra Pessach, a que sempre gostei mais foi Pessach como “pe – ssach” – a boca que fala.

 

Em Pessach, devemos aproveitar a tão cobiçada liberdade de falar, porque assim nos libertamos dos Faraós, da obscuridão da noite.

 

Uma das diferenças entre liberdade e escravidão está marcada pela possibilidade de se expressar sem temor. De dizer o que se deseja. De gritar ou ficar calado. Aprender a liberdade para exercitá-la, descobrindo que na palavra esta a verdadeira força.

 

Nas noites dos Sedarim de Pessach, afirmamos a essencialidade da narrativa como interiorização e exteriorização do tempo. A noite do Seder deve ser tomada pela Fé e a redenção, e por isso a Hagadá passa a ser o manual que nos transporta ao Egito, nos dando um significado espiritual a nossa vida para poder elaborar o “ser livre”.

 

Mas, cuidado! Não deve ser unicamente um formalismo, nem uma formula mágica. O relato compromete. Deve se converter num diálogo entre a verdade histórica e a experiência pessoal que possamos aportar diante daqueles dilemas que nos permitam compreender a possibilidade de escolher.

 

Ser livre é poder se afastar dos prejulgamentos que levamos profundamente enraizados em nosso espírito, e a noite do Seder, através da narrativa, nos dá quase que sem percebermos esta única oportunidade de abençoar não só o que comemos, como também a “ação de comer”.

 

Em nossos tempos, nos quais todos tem suas verdades definitivas, sem que ninguém tente objetá-las, resulta quase impossível enxergar a Verdade. Para aqueles que não poderão alcançar essa possibilidade, o Seder nos dá os meios que não pela sua simplicidade são menos efetivos: a palavra do relato do Êxodo, através da boca que dialoga do pe – ssach, e a mesma boca ingerindo alimentos que simbolizam os que podemos colocar em nossos paladares com liberdade.

 

Se quisermos que Pessach triunfe, é o dialogo que devemos fomentar. Assim, poderemos nos inspirar, nos iluminar e enxergar a Verdade, para que o grito de liberdade seja proferido realmente por seres livres.

 

Pessach Casher Vesameach!

 

Shabat Shalom
Iehuda Gitelman,
Líder Espiritual do Centro Israelita

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publicado às 00:33

Os bondes e o papel machè

por blogdobesnos, em 03.04.12

Com cinquenta e cinco anos, já posso falar que algumas coisas “na minha época” eram diferentes de hoje. O tempo, a experiência e os fatos nos modificam. Lembro que vivi uma Porto Alegre em que pais e filhos passeavam tranquilamente pelo centro nos finais de semana, já tarde da noite, sem nenhuma preocupação maior com a violência; em que, como crianças podíamos escolhar o “campinho” onde jogar bola; de como andávamos uniformizados com as vestes das escolas; dos mistérios assombrosos da adolescência. Não tínhamos computadores, mas carrinhos de lomba; não tínhamos brinquedos eletrônicos, mas carrinhos de madeira pintados à mão.

 

Entre as lembranças, uma especialmente carinhosa é a dos bondes, associados ao romantismo de uma época que não existe mais. Os bondes pararam de circular em março de 1970 em Porto Alegre, quando eu tinha 16 anos; era, portanto parte do meu dia-a-dia até a adolescência.

 

Recordo dos motorneiros uniformizados, do valanço que o veículo fazia, dos bancos de madeira. Era muito gostoso andar de bonde: como diríamos hoje, era um meio de transporte agradável, ecológico, quase auto-sustentável. Os bondes gaiola acabaram com a invasão dos automóveis. Hoje, mais de quarenta anos após, chegamos a conclusão de que os bondes eram uma ótima alternativa, especialmente por serem movidos por um combustível limpo, como a eletricidade, não poluente e não-fóssil.

 

Esquecendo de considerações técnicas, incabíveis aqui, os bondes eram uma experiência física, tátil, um contato com algo mais natural (suas estruturas eram feitas de madeira), um convite à proximidade, à conversa, à comunicação, aos comentários sobre o que estava acontecendo na política. Andar de bonde gaiola era sentir-se mais livre, mais fraterno.

 

Hoje não há mais bondes. Infelizmente. Mas esse “infelizmente” não termina aqui, não se trata de puro saudosismo, mas de indignação pois os crápulas, sempre de plantão, adulteraram violentamente o sentido do que conhecemos como bondes, Hoje, “bonde” passou a ser sinônimo de gangues que andam por aí, especialmente nas periferias, espancando, amedrontando, criando áreas de domínio, “guetos”, estruturas de poder paralelo que submetem suas vítimas a todo tipo de indignidades.

 

Se a palavra foi desvirtuada por essa corja, seu sentido foi bem mais. Hoje, “participar de um bonde” é integrar um grupo marginal, violento, com regras absolutamente demarcadas e hierárquicas. É estar a serviço de um trem de abominações e covardias, é concordar em juntar-se com uma matilha.

 

A escola em que trabalho atende a uma comunidade assolada por grupos de tráfico, aos quais vieram juntar-se os “bondes”, que chegam a mais de uma dezena em Porto Alegre. Os “bondes”, ao que se saiba, tem como única ocupação a de marcar território e de mostrar que são “os caras”, que “mandam”, que “apavoram” e que, enfim, fazem o que bem entendem do jeito que bem entendem na hora que bem entendem.

 

Que se tenha notícia, as pessoas “marcadas” pelos bondes serão vitimizadas, desde ameaças até a pancadaria covarde. 

 

Os “bondes” não possuem, ao menos que eu saiba, qualquer componente ideológico, como alguns outros grupos de terrorismo urbano de ultra-direita, como os skinheads ou os grupos neonazistas, que tem uma inspiração política baseada no racismo e na limpeza étnica. São auto-afirmativos, cumprindo sua função de ameaçar e vandalizar, impor-se através do medo da marcação de territórios.

 

Evidentemente, em relação à escola pública onde trabalho, ocorre o mesmo. A situação, grave em relação a determinados alunos, ou ameçados ou integrantes de “bondes”, deriva para um sentimento de insegurança generalizado, ampliado cada vez mais pelas reverberações do dia-a-dia em que o diz-que-me-disse campeia solto. Na verdade, todos nos sentimos, com maior ou menor intensidade, emparedados, mas sem que as mesmas ofereçam abrigo e proteção. A cada dia de trabalho tais paredes parecem, cada vez mais, ser feitas de papel machê.

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publicado às 00:20

Constrangimento na Caixa Economica Federal, agencia Bom Fim

por blogdobesnos, em 03.04.12

CONSTRANGIMENTO.

 

Bem antes das 10h de hoje fui à agencia Bom Fim da Caixa Economica Federal para pagar impostos municipais. Fui direto ao caixa eletrônico e após ter feito toda identificação, fui alertado pelo display que “o valor do pagamento excedia o possível”. Fui então falar com um funcionário-estagiário (ou o contrário) para que ele me explicasse porque eu, com o cartão da caixa e com saldo bancário não poderia efetivar o pagamento.

 

” – Porque a Prefeitura não aceita pagamentos acima de um mil reais”. (Estranho, pensei eu).

 

” – Então como faço?”

 

“- Como o senhor não é cliente dessa agência, vai ter de esperar até que a sua agência de origem mande os documentos de abertura de conta para que nós possamos conferir a sua assinatura.”

 

” – Ora” – eu disse – “mas se eu estou aqui com o cartão eletrônico da minha agência e com a minha carteira de identidade, porque…”

 

” – Não pode, senhor, é para a sua segurança, além do que há uma determinação da Caixa nesses casos.”

 

Casos, pensei eu? que casos? De qualquer modo, enquanto ele me explicava o improvável, absolutamente todas as pessoas que estavam atrás de mim na fila passaram à minha frente. Fiquei eu ali, apalermado. O tempo passou, meia hora, quarenta minutos, quase uma hora.

 

Decidi falar com o gerente. Havia três. A informação que recebi foi a de que ” – … havia um convênio da Prefeitura com a Caixa … ” e que, realmente, eu só poderia efetivar o pagamento após a bendita chegada dos documentos da minha agência de origem. Aguardei mais, enquanto ía me dando conta de que já havia se passado mais de uma hora que eu estava dentro da agência.

 

Eu havia decidido pagar ali para não ter de me deslocar para minha agência de origem, pois ainda pretendia resolver outros problemas pela manhã.

 

Finalmente os documentos chegaram. Fui ao caixa, entreguei-lhe meu cartão de crédito, meu documento de identidade e os documentos a serem pagos. Foi aí que de repente surgiu uma outra gerente, que afirmou que eu não poderia pagar ali. Já indignado, perguntei o motivo.

 

“-É porque o senhor abriu a conta bancária na outra agência com sua carteira de motorista. O senhor tem a sua carteira de motorista?”

(O inferno!) 


“-Não, porque ela foi furtada. Já fiz novo exame de revalidação, mas esse é o motivo pelo qual não a tenho nesse momento.”

 

“-Sim, sim, então o senhor não vai poder pagar, porque tem de apresentar exatamente o documento com o qual o senhor abriu a conta bancária na agência de origem; além disso, há uma determinação da Caixa que os pagamentos em outras agências – especialmente dos órgãos públicos – só pode ser feito com a apresentação dos documentos do banco de origem. Mas é tudo para a sua segurança.”

 

” A senhora está me dizendo, sutilmente, que eu poderia ter falsificado o cartão de crédito da caixa, a minha carteira de identidade, embora a senhora tenha consigo, na sua frente o documento que tem a minha assinatura de abertura de conta?"

 

"Que eu não posso pagar a Prefeitura embora tenha saldo mais do que suficiente para tal pagamento? A senhora está dizendo que tudo isso pode ser falsificado, ou seja, que eu possa ser um estelionatário?”

 

” – O senhor me desculpe, mas há uma diretiva da Caixa remetendo a tais casos, e eu não posso fazer nada.”

 

“-Quem sabe então eu clonei a mim mesmo? Se eu assinar qualquer documento a senhora poderá verificar que a assinatura é a mesma, além do que na carteira de identidade tem a minha fotografia e a minha assinatura!”

 

” – Não posso fazer nada, é tudo para a sua segurança.”, disse ela com aquela voz monocórdia que conhecemos tão bem. Ato seguinte, o caixa chamou outro número para ser atendido, para abreviar a situação. Afinal de contas, eu que me virasse.

 

Após mais de duas horas, a Caixa Economica Federal afirmava que um correntista com cartão de crédito da instituição, com cédula de identidade e com saldo bancário e com documentos de origem provando a sua assinatura, simplesmente não podia efetuar um pagamento. Mais: fica claro que não há qualquer confiança no correntista, que é visto claramente como um bandido, um estelionatário, tudo por obra e graça da burocracia da Caixa Econômica Federal e de suas diretivas internas.

 

Portanto, quando se fala em segurança do cliente, não nos iludamos: seria mais honesto falar de sua própria segurança institucional. Cliente, para a Caixa, é bandido, é falcatrua, é lixo.

 

Se isso não é constrangimento, sinceramente, não sei o que é.

 

Saí da agência, fui para minha casa, peguei a chave do carro e fui à minha agência de origem. Recebi uma ficha para ser atendido no caixa. Dez minutos depois eu havia pago o que queria. Apresentei apenas a carteira de identidade e o cartão de crédito.

 

Em quinze minutos estava tudo resolvido, mas a revolta de ser tratado com amais absoluta desconfiança e falta de crédito na sua palavra, com inabilidade, com injustiça e de ser indiretamente cogitada a hipótese de que eu estava lesando alguém absolutamente não me abandona.

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publicado às 00:16

Discursos e autorizações

por blogdobesnos, em 03.04.12

Percebo que nada ocorre por acaso; não em termos de discurso. É claro que não descarto o que o direito chama de infortunística, que é um evento imprevisível e que, normalmente provoca danos pessoais, materiais ou ambos. Não é disso que se trata. Falo sobre as nuanças do discurso, das suas intencionalidades. O que isso tem a ver com indisciplina? Na minha modestíssima opinião, muito. O discurso, dependendo de quem ou de qual situação queira privilegiar, pode ser amplamente justificador, no sentido de autorizar alguém que faça parte de um grupo social a fazer ou deixar de fazer algo em razão ao atendimento desse mesmo discurso. É disso que falo. Portanto, o discurso justificador é, por via transversa, autorizativo; não que necessariamente o queira, mas porque pode vir a ser, sem maiores considerações.

 

Trate de dizer a um grupo social que ele é oprimido, que ele advém da miséria e que o mundo tenderá a mantê-lo na miséria. Aguarde um pouco, e o comportamento, se não for criticizado, tenderá ao atendimento do discurso.

 

Em educação há um exemplo muito claro: o da predição. Um professor foi alertado de que uma determinada turma (chamemos de A) iria provocar problemas de toda a ordem, enquanto outra (vamos chamar de B) não traria trazer qualquer incomodação, seja do ponto de vista cognitivo ou social. O professor já entra predisposto àquela opinião, que ele entendia qualificada. Ao fim e ao cabo, as avaliações apenas confirmam o que o professor já sabia. A turma A se sai bem, enquanto a B amarga fracassos. Somente após, é informado ao professor que aquela opinião era totalmente tendenciosa e que, em verdade a turma A é a que não lhe traria problemas; o contrário em relação à turma B. É o que chamamos de predição, o mestre foi altamente influenciado por quem poderia, na época, fazê-lo. O comportamento do professor já havia sido moldado antes sequer de entrar em contato com as turmas.

 

Do mesmo modo, se alguém tiver uma justificativa eficiente para suas indisciplinas, para sua falta de colaboração, para o cultivo da própria ignorância, não será nada incomum se utilizá-la de modo eficaz para alcançar o resultado pretendido. Não educa quem faz florecer discursos convenientes, no qual a culpa social faz o papel de protagonista. Que você reconheça situações de vida opressivas, desiguais, injustas é uma coisa; que você autorize alguém através de um discurso condecendente, a proceder de uma maneira incorreta, desagradável, ilegal ou constrangedora vai uma grande diferença.

 

Se alguém é parte de um sistema injusto, ensine-a a ser crítica, propositiva, de modo a que possa influir positivamente e de forma criativa no contexto social; eduque-a para que ela, por si própria, passe a ver alternativas e possibilidades até então não imaginadas, prefira isso a ser vetor de um discurso que, ao fim e ao cabo, traz pelo menos três efeitos mínimos e visíveis: (1) manter a pessoa aprisionada dentro de um ciclo de imposturas; (2) mantê-la dependente e sempre na defesa de seus interesses, esquecendo dos direitos alheios e (3) preservando seu estado de inação moral e ética.

 

Trate com respeito sua própria fala, mantenha com a mesma um liame forte com a realidade, afinal, influa ou não sobre o ambiente social, profissional ou familiar em que você se encontra, de algum modo você será ouvido. As falas, como aprendemos muitas vezes às duras custas, sempre tem um preço a ser pago. Há dívidas, contudo, que não são facilmente resgatadas.

 

Pense no discurso, pense especialmente no que você pensa: sempre, a despeito de tudo, haverá consequencias. Certifique-se de que, se as mesmas forem graves, você sustentaria ou não sua posição. Afinal, respeito é o mínimo que você pode ter consigo mesmo.

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Dany-Robert Dufour: fratura na modernidade

por blogdobesnos, em 03.04.12

Fratura na Modernidade

 

Dany-Robert Dufour

 

 

“…. Entramos, há algum tempo, numa época naturalmente dita ‘pós-moderna’ – J. F. Lyotard, um dos primeiros a apontar esse fenômeno, entendia com isso evocar uma época caracterizada pelo esgotamento e pelo desaparecimento das grandes narrativas de legitimação, notadamente a narrativa religiosa e a narrativa política 1.

 

Não quero aqui discutir a pertinência dessa expressão; aliás, outras são propostas: o cupermoderno, o hipeercontemporâneo… Apenas gostaria de observar que efetivamente chegamos a uma época que viu a dissolução, até mesmo o desaparecimento das forças nas quais a ‘modernidade clássica’ se apoiava.

 

A esse primeiro traço do fim das grandes ideologias dominantes e das grandes narrativas soteriológicas, acrescentaram-se paraalelamente, para completar o quadro, a desaparição das vanguardas, depois, de outros elementos significativos tais como: os progressos da democracia e, com ela, o desenvolvimento do individualismo, a diminuição do papel do Estado, a supremacia progressiva da mercadoria em relação a qualquer outra consideração, o reinado do dinheiro, a sucessiva transformação da cultura, a massificação dos modos de vida combinando com a individualização e a exibição das aparências, o achatamento da história na imediatez dos acontecimentos e na instantaneidade informacional, o importante lugar ocupado pelas tecnologias muito poderosas e com freqüência incontroladas, a amplilcação da duração de vida e a demanda insaciável de plena saúde perpétua, a desinstitucionalização da família, as interrogações múltiplas sobre a identidade sexual, as interrogações sobre a identidade humana (fala-se, por exemplo, hoje, de uma ‘pwersonalidade animal’), a evitação do conflito e a desafetação progressiva em relação ao político, a transformação do direito em um juridismo procedimental, a publicização do espaço privado (que se pense na onda dos webcams), a privatização do domínio público… Todos esses traços devem ser tomados como sintomas significativos dessa mutação atual na modernidade.

 

Eles tendem a indicar que o advento da pós-modernidade não deixa de ter relação com o advento do que hoje evocamos com o nome de neoliberalismo.

 

É precisamente essa mutação que me esforçarei por pensar, na medida em que ela corresponde ao que poderíamos chamar de uma afirmação do processo de individuação há muito tempo iniciado em nossas sociedades. Afirmação que, ao lado dos aspectos positivos, inclusive de gozos novos autorizados pelos progressos da autonomização do indivíduo, não deixa de engendrar sofrimentos inéditos.

 

Se, com efeito, a autonomia de sujeito comporta uma autêntica visada emancipadora, nada indica que esse autonomia seja uma exigência à qual todos os sujeitos podem responder de imediato. Toda a filosofia tenderia a indicar que a autonomia é a coisa mais difícil do mundo de construir e só pode ser obra de toda uma vida.

 

Nada de espantoso em que jovens, que por natureza estão em situação de dependência, sejam expostos diretamente a essa exigência de modo muito problemático,  o que cria um contexto novo e difícil para todos os projetos educativos. Com freqüência falamos de ‘perda de referência nos jovens’, mas, nessas condições, o contrário é que seria espantoso. Decerto eles estão perdidos, já que experimentam uma nova condição subjetiva cuja chave ninguém, menos ainda os diretores de Escola, possui.

 

Portanto, de nada serve invocar a perda das referências se com isso se indicar que algumas lições de moral à antiga poderiam bastar para impedir os danos. O que não anda mais é justamente a moral, porque ela só pode ser feita ‘em nome de…”, enquanto, no contexto de autonomização contínua do indivíduo, justamente não sabemos mais em nome de quem ou de que fazê-la.

 

E quando não se sabe mais em nome de quem ou de que falar aos jovens, isso é problemático tanto para os que lhes devem falar todos os dias quanto para aqueles a quem se fala. Essa situação nova, a ausência de enunciador coletivo que tenha crédito, cria dificuldades inéditas para o acesso à condição subjetiva e pesa sobre todos, e particularmente sobre os jovens. Quais são os efeitos, para o sujeito, do desaparecimento dessa instância que interpela e se dirige a todo sujeito, à qual ele deve responder e que a história sempre conheceu e colocou em operação, notadamente através da Escola? Nessa perspectiva, nada é mais urgente que dispor de estudos de psicologia contemporânea que venham circunscrever a nova disposição de um sujeito instado a fazer-se a si mesmo e ao qual nenhuuma antecedência histórica ou geracional se dirige ou pode legitimamente se dirigir.”

 

 

1 – J.F. Lyotard, La condition postmoderne, Paris, Minuit, 1979.

 

Fonte: Dufour, Dany-Robert, A arte de reduzir as cabeças: sobre a nova servidão na sociedade ultraliberal, Rio de janeiro, Companhia de Freud, 2005

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