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Viva a EPTC!

por blogdobesnos, em 14.04.12

Eu não falei?

Dirigindo o carro, pela Protásio Alves, para converter à direita, próximo ao Pronto Socorro, buscando meu box de estacionamento. Uma fila infernal, e eu sem saber o que tinha acontecido. Ao me aproximar da esquina (em torno de uns 10 minutos para fazer a curva) descobri o que estava havendo: havia dois fiscais da EPTC organizando o tráfego. Ora, Hilton, que dúvida é essa?

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A EPTC é a empresa porto alegrense de transporte e circulação de Porto Alegre, especializada em multar, criar zonas azuis para cobrar estacionamento público sem qualquer espécie de contrapartida e burocratizar o trânsito, além de não entender de engenharia de tráfego.  É uma companhia com a qual ou sem a qual tudo fica igual, porque o trãnsito de Porto Alegre possui algumas características interessantes.

Imagine que você está trafegando por uma cidade qualquer, de médio ou grande porte. Normalmente a sequencia de tráfego é uma rua desce, outra rua sobe uma rua desce, outra rua sobe, uma rua desce, outra rua sobe. A engenharia de tráfego de Porto Alegre inovou, mais uma vez (ah! eu sou gaúcho! ah! eu sou gaúcho!). Aqui a sequencia é: rua desce, rua desce, rua desce, rua desce, rua sobe, rua sobe, rua sobe, rua desce em metade da pista e sobe em metade da pista, rua desce, rua desce, rua desce e assim por diante, de tal modo que se você cometer a infelicidade de errar uma rua, tenha paciência!, você terá de rodar o dobro ou o triplo do necessário para retornar. Afinal, cidade grande é cidade grande!

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Se você morar em alguma das ruas nas quais há um corredor de ônibus, resta tão-só reorganizar suas finanças em relação ao que você possível e razoavelmente gastaria em combustível. Simplesmente triplique ou quadruplique as suas projeções, porque você não encontrará alternativas senão rodar, rodar, rodar, rodar e, novamente cumprir tudo de novo somente para atravessar uma rua. Qualquer reclamação, ligue para a EPTC, e os engenheiros providenciarão um estudo para que, ao fim e ao cabo, você tenha de rodar mais ainda.

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Mesmo em ruas estritamente residenciais, mesmo em frente a hospitais, mesmo em frente a creches e orfanatos, de nada disso se compadece a EPTC; dê-lhe colocar uma amaldiçoada faixa branca ou amarelo e por um artefato caça-níquel e – bingo! – lá estará mais uma zona azul, dessas de deixar você roxo de raiva.

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Faça turismo em Porto Alegre. Visite a EPTC!

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publicado às 17:07

Objeto de desejo

por blogdobesnos, em 14.04.12

Tão bom escrever “If I had a moleskine”. É bonito, sonoro, dizer “If I had a moleskine”. Provavelmente os lugares em que viajaria, os cafés que tomaria, os aviões que me transportariam seriam mais interessantes se portasse comigo uma moleskine, um charme adicional que nenhum pc ou mac traz. Aliás, o notebook por excelência é uma agenda moleskine. E também deve ser ótimo para desenhar, pintar, garatujar, enfim, deixar a imaginação fluir, além de acumular alguns dados importantes ou absolutamente desnecessários.

If I had a moleskine. Por diversas vezes estive a ponto de comprar uma. É claro, o preço não é atraente, mas, afinal, algumas coisas gratificantes da vida não tem preço atraente, então isso é esperável, especialmente em se tratando de uma moleskine. Claro que poderia comprá-la, mas não comprei, e aí o preço não tem nada a ver com isso. É como alcançar um desejo já presente há muito tempo. É bom, quase que dilacerantemente delicioso esperar por uma moleskine. É fazer com que o desejo cresça até quase o insuportável, e depois, como um ritual de disciplina monástica, calá-lo. Como todo desejo, mantê-lo por ali, acalentando-se da vontade.

Quase como uma coceira que a gente possui e que, deliberadamente não procura um médico para tratar, porque a sensação de coçar é deliciosa, e a gente não pode resistir a isso. Sem dúvida, é por isso que não compro uma moleskine. Não quero que a coceira passe e, evidentemente, também não vou procurar um médico. If I had a moleskine é um desejo incompleto, mas latente, que está ali, resistindo, esperando algo excepcional. É, talvez, como andar em uma Ferrari, o que não podemos fazer todos os dias, mas que mantém seu fogo ali, esperando.  Ou como beber um vinhol maturado a décadas.  Coceiras sempre persistem. Moleskine, para mim, é uma delas.

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publicado às 17:04

Feira do Livro 2010

por blogdobesnos, em 14.04.12

Dia desses, na Feira do Livro, na Praça da Alfandega, estava peregrinando entre uma e outra banca quando escutei a frase: “Essa feira já devia ter acabado”, dizia um, com o que o outro, parceiro do primeiro, evidentemente concordava. “Em plena era da internet esse tipo de feira já ficou anacrônico!”. Fecha o pano. Fiquei lembrando de uma situação vivida há anos, quando fiz Pedagogia. A professora trouxe um texto que questionava justamente a possibilidade do livro vir a tornar-se um objeto de museu, na medida em que poderia ser engolido pelas novas tecnologias. A tarefa era a de que colocássemos nosso ponto de vista de modo textual, utilizando possibilidades argumentativas que justificassem a posição tomada. Me lembrei de tudo isso tão logo ouvi a frase acima. Continuo tendo a mesma opinião. O livro não é substituível. O texto pode até ser produzido em várias midias, mas o quase fetiche pelo livro, a dedicação – dedicar-se – pelo livro não é algo que possa se extinguir. Poderia ficar ainda um bom tempo falando sobre vantagens e desvantagens de se ler em uma tela de computador em contraste com a leitura feita em um livro, mas penso que, aqui e agora, não é o caso. De certo modo há um travo de ironia aqui, especialmente quando escrevo sobre as possibilidades de alcance de um livro e de uma mídia eletrônica.  Por que?

Ora, o BLOG DO BESNOS já ultrapassou 138 mil acessos e é bem mais do que provável de que não conseguiria tamanho alcance de leitores se não dispusesse de um blog. Hoje temos uma média de 300 leitores por dia, havendo picos positivos além de 400 acessos diários. No entanto não seria pela enorme satisfação pessoal que sinto por ter chegado a cada um dos meus leitores que me faria dizer que o livro um dia será dispensável, pois há todo um ritual, uma cumplicidade entre o livro e o seu apaixonado leitor. O livro tem um cheiro de aventura, ou de desejo, ou mesmo de desesperança, mas é um cheiro que evola de suas páginas, de suas histórias, de seus envolvimentos com as nossas próprias vidas e fantasias. Alguém consegue imaginar um notebook ou um netbook sendo lido por alguém sentado em um onibus lotado? Ou numa redinha? Talvez até possa, mas o contato físico do livro é fundamental.

Por outro lado, penso que o moço pós-moderno errou o peso da mão no seu palpite. Quantas pessoas tem acesso a um computador no Brasil? É bem verdade, não percamos de vista, que o nosso país é um dos campeões da internet, do acesso à web, mas temos, aqui, uma área continental. E, por falar nisso, uma feira de livros estimula justamente não apenas o consumo monetário de um livro, mas também a volúpia de uma capa bem feita, incentiva a leitura, nos mostra como podemos estabelecer uma relação de amor com os lugares do  mundo, com as narrativas e com os tempos passados e futuros que talvez só tenhamos noção através das viagens que os livros nos proporcionam. Ler é bem mais que apenas decifrar um código escrito, bem mais que tão-somente ler. É, de certo modo, nos tornarmos presa e caçador das emoções que nos varrem quando mergulhamos em um texto. E o objeto livro, para isso, é incomparavelmente mais interessante que qualquer mídia não impressa.

Finalizando: seja em Porto Alegre, em Paraty, em São Paulo, em Passo Fundo, em Buenos Aires, no Rio ou em alguma cidade das mais de quatro mil espalhadas somente pelo Brasil, em qualquer uma delas, sob qualquer circunstãncia e proporção, vivam todas as Feiras do Livro! 

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publicado às 17:02

Tourraine e Bauman ganham Prêmio Príncipe das Astúrias

por blogdobesnos, em 14.04.12

Alain Touraine e Zygmunt Bauman distinguidos com Prémio Príncipe das Astúrias 

27.05.2010 – 12:38 Por PÚBLICO

 

Sociedade pós-industrial”. “Modernidade líquida” – dois conceitos. O primeiro pertence a Alain Touraine e o segundo a Zygmunt Bauman, os dois sociólogos distinguidos com o Prémio Príncipe das Astúrias 2010, na categoria Comunicação e Humanidades, pelo trabalho que desenvolveram “para a compreensão de questões fundamentais do nosso tempo”.

 

Os dois sociólogos, “representantes da mais brilhante tradição intelectual do pensamento europeu”, foram distinguidos por terem criado, “independentemente um do outro, instrumentos conceptuais singularmente valiosos para entender o variável e acelerado mundo em que vivemos”, escreve o júri da Fundação Príncipe das Astúrias no comunicado que anuncia o prémio.

Alain Touraine, nascido em França em 1925, centra o seu trabalho na sociologia de acção, tendo começado com a análise da sociologia do trabalho e depois dos movimentos sociais e as suas transformações. Crítico da globalização, considera que esta isola o indivíduo. “Sociologia da acção” (1965) foi a primeira das suas perto de 20 obras dedicadas a este temas, a mais recente, “La mirada social” (2009). Actualmente é director de Estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.

Zygmunt Bauman, britânico de origem polaca, nascido no mesmo ano que Touraine, professor emérito de Sociologia da Universidade de Leeds, no Reino Unido, é o criador da teoria da “modernidade líquida”, na qual sustenta que a actualidade está em constante mudança e movimento. No livro com o mesmo nome, editado em 2000, desconstrói o capitalismo globalizado e analisa a forma como este atenta contra a sociedade industrial. As suas teorias podem ser encontradas nas bases dos movimentos antiglobalização. Bauman é ainda internacionalmente conhecido pelas análises às relações entre a modernidade, o nazismo e o comunismo pós-moderno.

Touraine e Bauman recebem o prémio, constituído por 50 mil euros e uma escultura criada por Joan Miro, no Outono, em Ovideo, onde serão também entregues os outros sete prémios Príncipe de Astúrias de 2010.

 

Notícia substituída às 16h46

Fonte: http://www.publico.pt/Cultura/alain-touraine-e-zygmunt-bauman-distinguidos-com-premio-principe-das-asturias_1439270

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publicado às 16:59

Alain Tourraine. Um futuro a reinventar.

por blogdobesnos, em 14.04.12
Um futuro a reinventar
Alain Tourraine
Sisse Brimberg & Cotton Coulson/Keenpress/Getty

Na América e na Europa, a crise económica cada vez se assemelha mais a uma crise existencial. Há soluções para construir um outro futuro, nota o sociólogo francês Alain Touraine, mas os políticos não sabem aproveitá-las.

 

 

As três crises. Esta fórmula parece artificial, mas não é. Por trás da crise financeira, estalou uma crise monetária e económica que revelou ser uma crise política. E os nossos países europeus mostraram-se incapazes de pensar e de organizar o seu próprio futuro, facto que constitui uma terceira crise.

A primeira, a mais visível, foi a crise financeira que culminou em setembro de 2008 com o fecho do banco Lehman Brothers em Nova Iorque. Esta crise foi mais grave nos EUA e na Grã-Bretanha, mas também na Europa continental. Em contrapartida, depressa outros países se restabeleceram e chegaram mesmo a atingir elevados níveis de crescimento.

Houve quem julgasse a crise acabada e a retoma assegurada, quando, no início de 2010, estalou uma crise, sobretudo europeia, orçamental e económica. Tudo começou com um imprevisto: a Grécia estava à beira da falência. Descobrimos então a gravidade dos nossos males: a enormidade dos défices orçamentais, o rápido crescimento da dívida pública, a incapacidade quase generalizada de fazer descer os elevados números do desemprego.

Esta crise é, acima de tudo, uma crise política. É uma crise que manifesta a impotência dos países europeus em gerir a sua economia, em diminuir a despesa pública, em fazer crescer as receitas fiscais e, sobretudo, em relançar o crescimento sem o qual não haverá qualquer recuperação orçamental.

Um modelo ocidental de conquista e imponente

A terceira crise que assola o ocidente é a ausência de um projeto civilizacional, facto que ainda se compreende menos. Durante séculos, o ocidente europeu concentrou todos os seus recursos nas mãos de uma elite dirigente de monarcas absolutos e, mais tarde, do grande capital.

Conseguiu igualmente conquistar, em poucos séculos, uma grande parte do mundo. Mas este modelo de conquista assenta sobre duas situações perigosas. A primeira é o facto de toda a sociedade estar brutalmente submetida ao poder dos dirigentes. Dos súbditos de sua majestade aos operários fabris e aos colonizados, às mulheres e às crianças, todas as faixas da população ficaram sujeitas a formas de dominação extrema. O modelo ocidental foi, simultânea e indissoluvelmente, um modelo de conquista e um modelo imponente.

A sua outra fraqueza foi ter servido para a formação de nações que estiveram em guerra durante séculos, até que a Europa do século XX se lançou em duas guerras mundiais e numa vaga de regimes totalitários. As lutas entre nações europeias só terminaram com a hegemonia americana e a criação de uma União Europeia assente no enfraquecimento dos Estados. O sistema social europeu foi-se enfraquecendo mais lentamente.

Uma Europa sem projeto de vida

Os povos derrubaram monarcas, os assalariados conquistaram direitos sociais, as colónias libertaram-se, as mulheres conquistaram direitos, mesmo que não tenham conseguido acabar com a desigualdade que as vitima. Mas depois da Belle époque, dos anos de democracia social da segunda metade do século XX, a Europa, libertada dos seus maiores sofrimentos e das suas maiores loucuras, encontra-se sem modelo de desenvolvimento, sem projeto de vida.

São da Europa as grandes vozes que se fizeram ouvir nestes últimos séculos, mas hoje a Europa está silenciosa, vazia, sobretudo por não ter conseguido, até à data, substituir o seu antigo modelo de modernização. Mas isso não é impossível e já conhecemos os grandes temas que deveriam ser prioritários para o próximo século: os ecologistas convenceram-nos a conciliar os direitos da economia com os direitos do ambiente; os movimentos culturais revelaram-nos que não basta conquistar o governo da maioria e que também é preciso respeitar os direitos das minorias.

As mulheres, de uma forma mais privada do que pública, começaram a construir uma sociedade cujo principal objetivo é reconciliar os opostos e privilegiar a integração interior em detrimento da conquista exterior. Estes grandes projetos, no entanto, que deveriam imperiosamente transformar-se em projetos políticos, têm mais apoio da opinião pública do que dos governos.

A impotência política e intelectual: a causa principal da crise

Embora seja possível inventar um futuro, já não temos instrumentos políticos e, sobretudo, intelectuais para sairmos das crises cujas consequências mais negativas temos tentado apenas atenuar. O capital financeiro é o único setor da vida económica que se restabeleceu depressa e bem. Simultaneamente, a desigualdade social continua a aumentar, a economia de produção saiu da Europa e o debate político continua o mesmo em todos os países. Não podemos dizer que a nossa impotência política e intelectual seja uma consequência da crise. Ela é a sua causa principal. Este facto indica claramente onde se encontram as nossas prioridades.

Não existe uma solução para a crise económica sem uma solução para a crise política e cultural. É urgente o restabelecimento político e, sobretudo, o renascimento intelectual e cultural. A Bélgica e a Holanda foram assolados por um populismo chauvinista e xenófobo. A vida política em Itália e em França está arruinada e tem de ser totalmente reconstruída. Perante o papel dominante dos EUA, carecemos da vitória de Barack Obama sobre um partido republicano reacionário e pouco inteligente.

Foram os melhores economistas que nos explicaram a importância primordial das soluções sociais e políticas para ultrapassar a crise económica, mas os políticos dão mostras de ainda não terem entendido. Não podemos continuar a avançar devagarinho, pois nem sequer sabemos se estamos a avançar ou a recuar. Precisamos urgentemente de imaginar, pensar e construir o nosso futuro, afastando a névoa e o silêncio que nos impede de descobrir os instrumentos políticos indispensáveis à construção desse futuro.

 

Fonte: artigo retirado de

http://www.presseurop.eu/pt/content/article/352271-um-futuro-reinventar

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publicado às 16:54

Graças a Deus, chegou a votação!

por blogdobesnos, em 14.04.12

QUIS CUSTODIET IPSUS CUSTODIES? QUEM VIGIARÁ OS VIGILANTES (Juvenal, As Sátiras)

 

Que felicidade pessoal! Hoje o país vota no segundo turno, para decidir entre o projeto do PT e o projeto do PSDB para a Presidência da República!

Isso significa que a partir de hoje, se Ele quiser, não mais receberei e-mails absolutamente tolos, mesquinhos, de gosto duvidoso, que buscam única e exclusivamente achincalhar do modo mais grosseiro possível o nome de Dilma Roussef e de Lula. Será uma libertação quando, amanhã, ao abrir minha caixa de e-mails, não mais estiver lá piadas maldosas, grosseiras, absolutamente estúpidas. Já hoje à noite tudo estará definido, e a votação não se dará apenas entre os que tem computador em casa ou no trabalho e se comprazem em aborrecer os outros.

Não, a votação se dará entre aqueles que lutam para manter sua hegemonia social (que, aliás, que eu saiba, não está ameaçada) e aqueles milhões de brasileiros que saíram da faixa da mais absoluta miséria e que hoje tem escola, tem possibilidade de ir para o ensino superior e podem ter uma vida melhor.

Assim, não é somente uma votação regida pelos institutos de opinião, entre uma imprensa que se julga predestinada a determinar o caminho, os rumos e as vidas alheias. Não serão somente os indefectíveis formadores de opinião que irão às urnas, mas o povo que não tinha luz em casa, o povo que não tinha o que comer, aqueles cujos filhos saíram da possibilidade do crime e da marginalidade social, economica e cultural graças às políticas públicas sociais que também irão votar.

Por outro lado, porque mandar para Hilton Besnos tantos e-mails de tão execrável qualidade, se eu jamais disse em qualquer fala para terceiros votarem em A, B ou C? Por que, se eu não vivo cabalando voto, se não mandei um mísero e-mail para ninguém pedindo voto para quem quer que seja, e isso desde o primeiro turno, se eu não sou dono de instituto de pesquisa, nem sou cabo eleitoral, muito menos trabalho em jornal de grande circulação podendo, portanto, influir sobre a votação dos outros, através de meus comentários aparentemente neutros?

Por que tanto tentaram me convencer mas não através de um discurso centrado, mas de drops de indiscutível asnice? Por que dizerem que me mandaram tal e qual absurdo como uma piada, para que eu pretensamente risse, quando o texto de tais piadas é racista, perversamente arquitetado? Por que entupir meu e-mail de bobagens, sempre com uma mensagenzinha que variava de “para rirmos juntos”, “para você rir” até “precisamos salvar a democracia brasileira”, “precisamos salvar o Brasil” e outras estultícies de tal ordem?

Por isso, meus amigos leitores do BLOG DO BESNOS, estou intimamente feliz! Em nível externo porque vivemos uma democracia e porque o Brasil real vota hoje. Em segundo lugar, de modo bem pessoal, por que sinto que ficarei livre de todo esse entulho nojento com o qual fui brindado, desde antes do primeiro turno e que me acompanha desde 2002, variando mas mantendo seu estilo burro de quatro em quatro anos.

Consulte a sua consciência, consulte a sua convicção política e vote. Afinal, houve pessoas que morreram e destroçaram suas vidas para que isso aconteça hoje. Eu respeito seu ponto de vista e, após o voto de hoje, eu me sentirei libertado. Se você não tiver convicção política, se para você tanto importa, pense em qual dos pretendentes a Presidência da República poderá efetivamente tornar melhor a vida da sua comunidade, da sua escola, do que você conquistou. E vote buscando o melhor para o seu país, e não para você,. Não vote em seu próprio umbigo. Vote para as gerações futuras, vote para o melhor. De qualquer maneira, muito obrigado. De um modo ou outro, você estará me libertando.

Grande abraço a todos vocês!

hILTON

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publicado às 16:35

Graças a Deus, chegou a votação!

por blogdobesnos, em 14.04.12

QUIS CUSTODIET IPSUS CUSTODIES? QUEM VIGIARÁ OS VIGILANTES (Juvenal, As Sátiras)

 

Que felicidade pessoal! Hoje o país vota no segundo turno, para decidir entre o projeto do PT e o projeto do PSDB para a Presidência da República!

Isso significa que a partir de hoje, se Ele quiser, não mais receberei e-mails absolutamente tolos, mesquinhos, de gosto duvidoso, que buscam única e exclusivamente achincalhar do modo mais grosseiro possível o nome de Dilma Roussef e de Lula. Será uma libertação quando, amanhã, ao abrir minha caixa de e-mails, não mais estiver lá piadas maldosas, grosseiras, absolutamente estúpidas. Já hoje à noite tudo estará definido, e a votação não se dará apenas entre os que tem computador em casa ou no trabalho e se comprazem em aborrecer os outros.

Não, a votação se dará entre aqueles que lutam para manter sua hegemonia social (que, aliás, que eu saiba, não está ameaçada) e aqueles milhões de brasileiros que saíram da faixa da mais absoluta miséria e que hoje tem escola, tem possibilidade de ir para o ensino superior e podem ter uma vida melhor.

Assim, não é somente uma votação regida pelos institutos de opinião, entre uma imprensa que se julga predestinada a determinar o caminho, os rumos e as vidas alheias. Não serão somente os indefectíveis formadores de opinião que irão às urnas, mas o povo que não tinha luz em casa, o povo que não tinha o que comer, aqueles cujos filhos saíram da possibilidade do crime e da marginalidade social, economica e cultural graças às políticas públicas sociais que também irão votar.

Por outro lado, porque mandar para Hilton Besnos tantos e-mails de tão execrável qualidade, se eu jamais disse em qualquer fala para terceiros votarem em A, B ou C? Por que, se eu não vivo cabalando voto, se não mandei um mísero e-mail para ninguém pedindo voto para quem quer que seja, e isso desde o primeiro turno, se eu não sou dono de instituto de pesquisa, nem sou cabo eleitoral, muito menos trabalho em jornal de grande circulação podendo, portanto, influir sobre a votação dos outros, através de meus comentários aparentemente neutros?

Por que tanto tentaram me convencer mas não através de um discurso centrado, mas de drops de indiscutível asnice? Por que dizerem que me mandaram tal e qual absurdo como uma piada, para que eu pretensamente risse, quando o texto de tais piadas é racista, perversamente arquitetado? Por que entupir meu e-mail de bobagens, sempre com uma mensagenzinha que variava de “para rirmos juntos”, “para você rir” até “precisamos salvar a democracia brasileira”, “precisamos salvar o Brasil” e outras estultícies de tal ordem?

Por isso, meus amigos leitores do BLOG DO BESNOS, estou intimamente feliz! Em nível externo porque vivemos uma democracia e porque o Brasil real vota hoje. Em segundo lugar, de modo bem pessoal, por que sinto que ficarei livre de todo esse entulho nojento com o qual fui brindado, desde antes do primeiro turno e que me acompanha desde 2002, variando mas mantendo seu estilo burro de quatro em quatro anos.

Consulte a sua consciência, consulte a sua convicção política e vote. Afinal, houve pessoas que morreram e destroçaram suas vidas para que isso aconteça hoje. Eu respeito seu ponto de vista e, após o voto de hoje, eu me sentirei libertado. Se você não tiver convicção política, se para você tanto importa, pense em qual dos pretendentes a Presidência da República poderá efetivamente tornar melhor a vida da sua comunidade, da sua escola, do que você conquistou. E vote buscando o melhor para o seu país, e não para você,. Não vote em seu próprio umbigo. Vote para as gerações futuras, vote para o melhor. De qualquer maneira, muito obrigado. De um modo ou outro, você estará me libertando.

Grande abraço a todos vocês!

hILTON

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publicado às 16:33

Carta aberta para Noblat

por blogdobesnos, em 14.04.12

Carta Aberta

De Carlos Moura, com carinho, para Noblat


Publicada terça-feira, 26/10/2010 às 17:57 e atualizada terça-feira, 26/10/2010 às 18:36

Publico a carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat.

 

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Noblat

Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?

Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria,  jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.

Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.

O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior  rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a  dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.

O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita  (“esqueçam o que eu escrevi”, ” tenho um pé na senzala” “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.

As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca.  A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas   e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar”  a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia”  do cargo. Ao togado basta o cinismo.

Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História.  E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.

Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.

A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.

Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.

Carlos Torres Moura

Além Paraíba-MG

Recebida por e-mail e publicada originalmente emhttp://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/de-carlos-moura-com-carinho-para-noblat.html

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publicado às 16:23

Café bucólico

por blogdobesnos, em 14.04.12

Sábado passado estava em um bar-restaurante na Oswaldo Aranha, pelas três da tarde, fazendo um lanche. Um homem, já maduro, na mesa em frente à minha, me pareceu estar bastante aborrecido. Inclusive encarou-me com um olhar que eu entendi como provocativo, raivoso, como quem espera qualquer motivo para iniciar uma briga ou uma discussão. Como era algo non sense, continuei, na santa paz, fazendo meu lanche, com o meu lado zen totalmente ativado.

O homem, então, chamou o garçom, irritadíssimo porque o pastel que havia pedido tinha sido entregue em outra mesa, que não a dele.

O garçom, educadamente, pediu desculpas e foi buscar o malfadado pastel.

Nessa altura o cliente parecia estar fora de si, e falou alto: “Mas tu não sabe que eu gosto do pastel nessa merda dessa mesa e não em outra? EU JÁ DISSE QUE NÃO COMO EM OUTRA MESA!!!!”

O garçom, contudo, não ouviu, pois já tinha saído para providenciar o dito cujo pastel. 

Eu, na minha, apenas vendo onde aquela bobagem iria parar. Não deu outra. Depois de um sonoro palavrão, o irritado cliente pegou uma xícara cheia de café e derramou, propositadamente sobre a mesa. Parecia uma criança que tinha sido contrariada pelos pais. Furioso, foi ao balcão, disse alguma coisa “NÃO VOLTO MAIS AQUI!!!”, com alguns palavrões à la carte e saiu desembestado porta afora.

Quando o garçom voltou, estava a mesa com todo o café derramado e, como disse, o troglodita já deveria estar escoiceando em outra freguesia. Fiquei pensando filosoficamente se a estupidez teria um limite, um ponto de quebra mas, confesso, não cheguei – e talvez jamais chegue – a uma conclusão final.

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publicado às 16:15

Ganhei coragem

por blogdobesnos, em 14.04.12
Ganhei coragem
Rubem Alves.

 

 

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo… Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse, na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos. E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou… Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos… E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre…“ Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável.

O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras. As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!

As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem.

 Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.

Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo… Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão.

Quem decide as eleições – e a democracia – são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o VolkswagenVolk, em alemão, quer dizer “povo“…

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos… Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol…). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção…“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.

(Folha de S. Paulo, 05/05/2002)

 

Ganhei coragem

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publicado às 16:13

A democracia e a liberdade de imprensa: distopias

por blogdobesnos, em 14.04.12

1 – A opinião.

 

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php

Publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, em dois de outubro de 2010.

 

DOIS PESOS…

por Maria Rita Kehl, no Estadão

 

 

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

 

2 – A conseqüência da opinião de Maria Rita Kehl, conforme agiu o jornal O Estado de São Paulo

 

Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”

 

Bob Fernandes

A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo:
- Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

Veja trechos do artigo “Dois pesos”.

Leia abaixo a entrevista.

Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…

Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

- Quais?
- Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

- Quando?
- Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

- E por qual motivo?
- O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

- Você chegou a argumentar algo?
- Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

- Que sentimento fica para você?
- É tudo tão absurdo… A imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

- Você concorda com essa tese?
- Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

- …Por outro lado…?
- Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal O Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

- Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
- Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

 

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4722228-EI6578,00-Maria+Rita+Kehl+Fui+demitida+por+um+delito+de+opiniao.html

 

 

PS:

Um dia, com mais calma, ainda vou escrever sobre alguns conceitos, como liberdade de imprensa, interesses economicos e pólítico-financeiros e sobre a blindagem que espertamente a imprensa construiu sobre si mesma: a imparcialidade e o acesso à informação. Sobre o assunto, há muitos livros que tratam do assunto, mas, de todo modo, vou me arriscar, não agora. O que entendo ser uma arbitrariedade cometida contra a agora não mais articulista do Estadão atingiu, além dos leitores, uma das inteligências e das maiores sensibilidades do país, que, infelizmente poucos conhecem.

Tive o prazer de assistir a uma palestra de Maria Rita Kehl em Porto Alegre em 2009, em edição do Fronteiras do Pensamento, na reitoria da UFRGS. Infelizmente, para toda a sociedade temos de confirmar a frase de Einstein: ” A ignorância é mais instigante que a inteligência, porque a segunda tem seus limites”.

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publicado às 16:10

No filme amor sem escalas: quebrando hábitos

por blogdobesnos, em 14.04.12

No filme Amor sem Escalas, Ryan Bingham (George Clooney) vive uma dupla situação de pressão: ao mesmo tempo em que seu emprego está em risco, graças a uma nova executiva, Natalie Keener (Anna Kendrick) e seus métodos administrativos de contenção de despesas, ele acaba se envolvendo com Alex Goran (Vera Ann Farmiga). Ryan, que transita entre aeroportos e uma indiscutível modernidade, tem como emprego despedir terceiros sem que seus empregadores se envolvam. Independentemente de quem deva ou não ser despedido e de suas histórias pessoais, lá estará o calculista Ryan para executar o seu serviço. Com a admissão de Natalie Keener, ele sente que pode provar do mesmo remédio que ministra aos outros. O caminho que leva a desacreditar o novo sistema proposto ,por Natalie implica em viajar com a mesma, para que ela sinta que seu inovador sistema de videoconferência simplesmente não funciona com a precisão que a mesma pressupõe.

Em uma dessas viagens, Ryan encontrará Alex Goran.

Quando Ryan procura sua amante de encontros furtivos em hotéis de luxo com o propósito de viver realmente um grande amor e uma vida em comum, descobre que Alex é casada e que não quer, de maneira alguma, “jogar sua vida real pela janela”, o que inclui marido, filhos, uma vida confortável, estabilidade financeira e possibilidade de viagens profissionais.  A questão principal é que há duas dimensões vividas, uma real e uma virtual. Uma com  conseqüencias e outra fantasiosa.

Ryan, assim, cai em uma armadilha provocada pelo seu próprio cinismo afetivo e incentivada pela frieza emocional, que se articula no modo como age profissionalmente. Nada de seus truques, no entanto, pode livrá-lo de uma dor inédita: a da desventura amorosa. A desilusão que se segue é semelhante a de um adolescente vitimado pela paixão, o paralisante constrangimento por não ter identificado em que circunstâncias se colocava ante uma situação de pura emoção e encantamento. É patéticamente confuso o papel de quem sempre se mantendo no controle de seus raríssimos afetos e primando pela indiferença emocional seja apanhado assim, por  uma paixão cegante.

Por outro lado, Alex tem a claríssima noção de que a vida dupla que leva é perigosa e pode lhe reservar muitas surpresas, mas que entre aquelas, o amor real simplesmente não faz parte de tais confortáveis cogitações.O amor, ou a vida real é o tema que move essa comédia romântica que se baseia no cinismo afetivo e no patológico controle emocional, além de alguma eventuais humanidades. Só há o componente da paixão no que concerne ao erotismo, ao desejo e às oportunidades de prazer. Em meio a essas regras, simplesmente Ryan se apaixona. De verdade. O mundo virtual, o mundo da conveniência, ao deparar com a realidade, é tomado então da falta de significado e de sentido. O que Amor sem Escalas diz é que há situações nas quais não é possível se romper determinados acordos não expressos.

Queiramos ou não, o amor não se afina com o cinismo descomprometido ou com a hipocrisia discursiva. A intensa solidão de Ryan durante seu aprendizado acaba engolfando-o. Afinal, não é fácil se libertar de velhos hábitos.

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publicado às 16:02

Pai, afasta de mim esse cálice

por blogdobesnos, em 14.04.12

Digo o que sei a quem – tenho certeza – não apreenderá o que falo; bobagem querer que outros te entendam de modo tão completo. Mesmo o amor por vezes ignora os fatos, como desimporta-se com o silêncio. Pessoas que se amam não deixam de ser o que são, aliás, raras vezes o fizemos. Gastamos uma parcela considerável de nossa energia explicando, justificando, julgando, tentando provar que nossos pontos de vista são os melhores, pelo que exaustivamente tentamos torná-los mais palatáveis, razoáveis.

 

Não é uma tarefa fácil a do convencimento, mas ao longo da vida aprendemos que pessoas se diferem, e muito, de maneira que conversar com alguns é impraticável, é uma robusta perda de tempo. Embora tenhamos de conviver, não conseguimos avançar em meio ao atoleiro da mediocridade, ao evanescente da futilidade, à grosseria da estupidez. Não há como fugir. Falar com quem não tem o hábito de escutar também é uma tarefa dura, complicada, espinhosa. Assim, procuramos uma alternativa, que se configura na conversa circular.

 

Conversamos circularmente quando obedecemos rigorosamente os critérios da mesmice e do esperável. Grande invenção, a circularidade nos leva, como diz o nome, a lugar algum. Trata-se de simplesmente falar aqueles assuntos que estão já padronizados dentro de uma expectativa social. Assim, empregados falarão mal de seus empregadores, professores falarão mal de seus alunos, esposas falarão mal de seus maridos, maridos falarão bem da mulher de terceiros, terceiros serão execrados ou idolatrados, todos comentarão sobre a falta de dinheiro ou onde investir seu dinheiro, “patroas” (ai!) falarão mal de suas empregadas e tudo o que escrevi antes deve ser visto de modo inverso. O blá-blá-blá diuturno tão só afirma nossas solidões, visto que não conseguimos estabelecer qualquer diálogo mais razoável a respeito de qualquer coisa além do jogo de futebol da semana.

 

Quando terminamos esse massacre dialógico, a sensação é de cansaço. A única coisa que pode remediar essa sessão diária de sado-masoquismo é o bom humor. E bom humor implica em inclusão e não em exclusão. Quem ri se inclui no grupo que ri. Quem ironiza exclui o grupo para atacar seu alvo. Sorrisos amarelos e verdes são, por isso, comuns. No mundo do trabalho apenas o humor salva. Fora disso, não há salvação, a não ser que garimpemos, com a paciência de um ourives, algumas  peças douradas, que brilharão independentemenete do local onde estejam.

 

Pessoas bem humoradas, contudo, são muitas vezes alvos de segregação, não são bem vistas por aquelas que lhes têm inveja e por aquelas que pensam que o mundo é um constante vale de lágrimas, onde todos temos de purgar as penas do inferno, amplificadas ao nível da intolerância. Há ainda aqueles que pensam que o trabalho deve ser o mais pesado, o mais árduo, o mais intolerável possível, tratando de povoar a sua vida e de infelicitar os outros com base na insegurança, na dúvida, na agonia, no ódio desmesurado, na crítica contundente, na urgência aplastante.  A única urgência, percebe-se, é ser feliz. 

 

Afora todas essas danosidades à saúde mental, há aqueles que se esforçam por tentar ensinar aos outros como devem viver as suas vidas, enquanto outros optam por um mar dentado envolto em doenças, dores, idiossincrasias e tentativas de suicídio mental. Continue rindo, continue não levando tais demências a sério, continue perrseverando em ser o que você é. Desimporte-se, pelo menos um pouco, com o que os outros sentem, pensam, doem, se estertoram. Busque uma ilha dentro de você, sem, contudo, isolar-se do mundo, senão corre-se o risco de pensar que o mundo está bem abaixo do peito, cravadinho no umbigo. Veja o mundo do tamanho que ele é, e colabore com o mesmo. O maior vício é a pobreza de espírito, é a indecência da alma, é o despudor da burrice crônica, é a patrulha ideológica, é virar uma alface. Coma, portanto, a alface, porque ela foi feita pra isso. De vez em quando, é bom uma saladinha.

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publicado às 04:45

Como construir uma via de acesso político

por blogdobesnos, em 14.04.12

1 - Algo sobre captar eleitores e poder de influência.


A resposta implica em várias possiblidades, mas uma delas é: tenha um espaço de programação midiático, que preferencialmente seja na Rede Globo ou em algumas de suas associadas. Isso irá garantir uma visibilidade e uma exposição incomparáveis. Aqui podemos facilmente pinçar alguns nomes que foram praticamente catapultados ao cenário político e que tem origem em passagens profissionais no Grupo Rede Brasil Sul de Comunicações:

a) Yeda Crusius, atual governadora do Rio Grande do Sul, e que nestas eleições de 2010 concorreu à reeleição, não obtendo vinte por cento dos votos válidos.  Antes da carreira política, trabalhou como comentarista economica na RBS.    

b)Paulo Borges, o” homem do tempo”, que falava a respeito da meteorologia na RBS.     

c)Antonio Brito, que era comentarista político e repórter na RBS e que passou à notabilidade nacional quando da enfermidade que vitimou Tancredo Neves, ex-governador do estado.   Sérgio Zambi, senador do Rio Grande do Sul .     

Em nível nacional, igualmente encontraremos vários exemplos. Por outro lado, há aqueles que, atualmente trabalhando na RBS, provavelmente se elegeriam caso optassem pela vida política. São exemplos claros Lasier Martins e Paulo Santana, e por aí segue uma seleta lista.

O grupo RBS não apenas influi na vida política, economica, cultural e social do estado de modo bastante contundente, pautando o que os gaúchos discutem todos os dias, mas também tem poder de fogo para o jogo político propriamente dito. Independente de uma aparente neutralidade, é óbvio que a exposição midiática é acesso privilegiado à seara política.     

Vejamos o caso de Ana Amélia Lemos.

A mesma, em nenhuma de suas propagandas explicitou a sigla do partido ao qual se filiou (PP). Apenas concorreram no processo a sua imagem profissional e midiática acrescida de comentários baseados no senso-comum e que abocanharam 3.401.241 de votos e a catapultaram como segunda vaga do Rio Grande do Sul ao Senado. Com tal votação ultrapassou Germano Rigotto (PMDB, 2.445.881 votos), ex-governador do Rio Grande, José Fogaça (PMDB, candidato ao governo do estado e atual prefeito de Porto Alegre, com uma votação de 1.554.836) e, por um nada, quase ultrapassa mesmo o eleito Tarso Genro (PT, 3.416.460 votos) ao governo do estado. 

Perdeu como primeira candidata ao Senado para Paulo Paim (PT, 3.895.822 votos). (*)    

Um dos motes da jornalista é seu conhecimento dos ”corredores de acesso em Brasília”. Presume-se que a futura senadora utilizará sua experiência como jornalista de décadas na Capital Federal, e que as suas fontes não irão secar. A senadora, embora não tenha exposto qualquer pretensão quanto a políticas públicas irá, com base em sua experiência ”melhorar a vida dos gaúchos”, ao mesmo tempo em que ”cuidará de seus interesses”. Ingenuidade tem hora. Nada melhor do que muitos anos de exposição diária na mídia e um rosário de comentários economicos e políticos convenientes.

Melhor ainda trabalhar em áreas sensíveis como economia e política, o que sempre garante audiência e aumenta o poder de influência do comentarista, além de reforçar uma imagem culturalmente privilegiada e em tudo positiva dentro do imaginário popular.  Por outro lado, os eleitores já estarão de todo submetidos ao encanto de tão expressiva pessoa e de suas articulações tão bem colocadas. Importa ao futuro eleito ter a inteligência de não se envolver em questões polêmicas e dizer o que a esmagadora maioria quer ouvir, em um exercício diário de influência baseada no senso-comum e na retórica da conveniência.         

 

 Neste cenário, porque seria exigida coerência política, ou história partidária, propostas viáveis e convicções?

Vivemos em um mundo no qual o imagético e a influência midiática são absolutamente dominantes, assim como é lastimável a passividade do recebimento não-crítico dos meios de comunicação. Há uma infinidade bibliográfica que trata das estratégias e do poder desencadeado pela mídia televisiva, radiofonica e jornalística. Basta ler, por exemplo, ”Televisão subliminar: socializando através de comunicações despercebidas”, Joan Ferrés, Artmed, 1998 ou, talvez, ”Controle da Mídia, os espetaculares feitos da propaganda”, de Noam Chomsky, Ed. Graphia, 2002, entre centenas de títulos que tratam do tema.  

De todo modo, se você quiser construir uma estratégia bem razoável de ingresso no mundo político, não é absolutamente necessário ter uma história partidária, evitando assim as peculiares armadilhas que surpreendem os neófitos. É importante que você conduza com sobriedade uma carreira dentro de um grupo de comunicações que lhe dê alta visibilidade e possibilidades de participar de todas (ou quase todas) plataformas de mídia. 

Fazer-se presente nos eventos nos quais haja um foco econômico, político ou social e preservar sua imagem pública é fundamental. Com o tempo, você desenvolverá um timming e um sentido de oportunidade invejáveis. Vá amealhando possibilidades, prime por uma linha argumentativa conveniente, diga o que importa e interessa e ignore solenemente outras interpretações. Alguém tem de falar o óbvio. Ah, sim, escolha algo no legislativo. Normalmente o executivo se transforma em um forno de microondas.

Utilize a sua experiência e a sua imagem para influir no pensamento de terceiros. 

 

Feito isso, os partidos irão procurar você. Seu nome passa a ser uma moeda forte dentro do campo político, e ser cortejado é apenas uma questão de tempo (e de negociação, lógico…). Questões partidário-ideológicas não interessam tanto. Ah, sim, seja compassivo(a), maternal, diga que é necessária a sua eleição e que irá cuidar do interesse dos seus eleitores. Bingo! Até a eleição! 

 

2 – O tamanho do Grupo RBS


Imagine a área de influência direta de um grupo de comunicações que possui 57 veículos de mídia concentrados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com negócios na área de TV a cabo, internet, mercado editorial e indústria fonográfica.  Afora isso, diga-se que o grupo possui 18 emissoras de televisão e 21 de rádio FM, além de geradores de TV com 259 retransmissoras em todo o Estado. Segue a lista completa do grupo:

 

Rádio Atlântida Santa Maria – Santa Maria (RS), A Notícia – Joinville (SC), CANAL RURAL – Porto Alegre (RS), CBN 1340 – Porto Alegre (RS), CBN Diário AM – Florianópolis (SC), Cidade FM – Porto Alegre (RS), Diário Catarinense – Florianópolis (SC), Diário de Santa Maria – Santa Maria (RS), Diário Gaúcho – Porto Alegre (RS), Gaúcha FM – Porto Alegre (RS), Gaúcha OC – 11915 – Guaíba (RS), Gaúcha OC – 6020 – Guaíba (RS), Hora de Santa Catarina – Florianópolis (SC), Itapema FM 95,3 – Joinville (SC), Itapema FM Caxias do Sul – Caxias do Sul (RS), Itapema FM Florianópolis – Florianópolis (SC), Itapema FM Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Itapema FM Santa Maria – Santa Maria (RS), Jornal de Santa Catarina – Blumenau (SC), Pioneiro – Caxias do Sul (RS), Rádio Atlantida Tramandaí – Tramandaí (RS), Rádio Atlântida Blumenau – Blumenau (SC), Rádio Atlântida Caxias do Sul – Caxias do Sul (RS), Rádio Atlântida Chapecó – Chapecó (SC), Rádio Atlântida Criciúma – Criciúma (SC), Rádio Atlântida Florianópolis – Florianópolis (SC), Rádio Atlântida Joinville – Joinville (SC), Rádio Atlântida Passo Fundo – Passo Fundo (RS), Rádio Atlântida Pelotas – Pelotas (RS), Rádio Atlântida Porto Alegre – Porto Alegre (RS), Rádio Atlântida Rio Grande – Rio Grande (RS), Rádio Atlântida Santa Cruz do Sul – Santa Cruz do Sul (RS), Rádio Farroupilha – 680 – Eldorado do Sul (RS), Rádio Gaúcha AM – Porto Alegre (RS), Rádio Pop Rock FM – Bagé (RS), Rádio Rural – Eldorado do Sul (RS), RBS TV Bagé – Bagé (RS), RBS TV Blumenau – Blumenau (SC), RBS TV Caxias – Caxias do Sul (RS), RBS TV Centro-Oeste – Joaçaba (SC), RBS TV Chapecó – Chapecó (SC), RBS TV Criciúma – Criciúma (SC), RBS TV Cruz Alta – Cruz Alta (RS), RBS TV Erechim – Erechim (RS), RBS TV Florianópolis – Florianópolis (SC), RBS TV Joinville – Joinville (SC), RBS TV Passo Fundo – Passo Fundo (RS), RBS TV Pelotas – Pelotas (RS), RBS TV Porto Alegre – Porto Alegre (RS), RBS TV Rio Grande – Rio Grande (RS), RBS TV Santa Cruz do Sul – Santa Cruz do Sul (RS), RBS TV Santa Maria – Santa Maria (RS), RBS TV Santa Rosa – Santa Rosa (RS), RBS TV Uruguaiana – Uruguaiana (RS), TV Com – Porto Alegre (RS), TVCOM – CANAL 36 – Porto Alegre (RS), Zero Hora – Porto Alegre (RS)

Fonte, TRE-RS, em 04/10/2010, 21 horas.  http://www.tre-rs.gov.br/eleicoes/2010/1turno/RS.html   

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publicado às 04:35

Os emails recebidos e as eleições de 2010

por blogdobesnos, em 14.04.12

Por vezes soa estranha essa busca do convencimento alheio. Tenho recebido, desde 2002, antes da eleição de Lula um bestialógico formidável. Fui descartando automaticamente, o que, de certa forma, faz com que eu me arrependa, porque deletei (com meus próprios dedos!) um material memorável, que prova haver claramente um caráter discriminatório em relação àquele Presidente da República.

Hoje, passados já dois mandatos presidenciais, muitos continuam insistinto em mandar materiais desse tipo, onde inexiste qualquer pauta política, mas tão-só ridicularia. Não se trata de ter essa ou aquela linha partidária, mas de prezarmos o bom-senso e não partirmos para a baixaria insidiosa. 

Algo tão obsceno quanto dizer-se que a imprensa é neutra. Nada e ninguém é neutro, não há instituição que seja neutra. Acho que nem os bancos suíços são neutros. Apenas fazem seu trabalho. O tempo das carruagens e das diligências nos quais o General Custer ía brandir sua arma contra os apaches, igualmente se foi. Tudo levado pelo oportunismo e pela insídia redundante. 

Dentro do que penso, não é possível se discutir política como quem está ali na esquina tomando cerveja no bar e resolvendo os problemas do mundo ou discutir com quem acredita em simplificações grosseiras e não consegue ter uma visão mais ampla de um cenário no qual alguns mesquinhos interesses pessoais são um absoluto nada. Não dá pra discutir política com uma pessoa que, não sabendo mais do que diz a mídia, não tem nível de informação suficiente para  quase mais nada.

Há um processo político, social e econômico em andamento, e se queremos falar sobre o mesmo, devemos conhecê-lo minimamente. É, portanto, um processo pedagógico de aprendizagem. Negar-se a isso e contrapor argumentos que seguem a linha do ”eu gosto” ou “eu não gosto” é o mesmo que tentar discutir-se equação de segundo grau com quem não sabe sequer dividir, somar, subtrair ou multiplilcar. Nos naturais, claro.

Então, não é possível tais discussões, mas invadir a caixa de e-mails é muito fácil. Basta digitar o adress correto e – pimba! – lá vem outra bobagem, outra perda de tempo em frações de segundo. Mais fácil que dizer “ai, outro!”. Sábias são as palavras de Bertold Brecht no poema “O ignorante político”. Parcas são as pessoas que leram profundamente tal poema social. Uma pena, realmente uma pena.

A questão não é, em absoluto, qual a tendência política de quem envia essas mensagens. Essa são claras. O que não é claro é o nível de entendimento que as pessoas tem para propor tais discussões, o nível de respeito que deveriam sustentar e que seria mais do que necessário para que a pessoa se impedisse de mandar adiante tanta asnice, tanto lixo disfarçado sob piadas, b rincadeiras, fotos e por aí afora. Para defendermos nossas idéias não precisamos escalpelar o próximo.

Assim, peço, rogo, me ajoelho e bato no peito bradando aos céus “mea culpa” “mea culpa” e, finalmente, “mea culpa”, mas não volto atrás. Se não houver um mínimo de inteligência e de criatividade nos argumentos que me enviarem, não tentem me transformar em uma alface que não pensa, não tentem me lobotomizar.

A não ser que seja manu militari

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publicado às 04:33

El reino magico - Eduardo Galeano

por blogdobesnos, em 14.04.12

El reino mágico

Por Eduardo Galeano

Pacho Maturana, colombiano, hombre de vasta experiencia en estas lides, dice que el fútbol es un reino mágico, donde todo puede ocurrir. El Mundial reciente ha confirmado sus palabras: fue un Mundial insólito.

* Insólitos fueron los diez estadios donde se jugó, hermosos, inmensos, que costaron un dineral. No se sabe cómo hará Sudáfrica para mantener en actividad esos gigantes de cemento, multimillonario derroche fácil de explicar pero difícil de justificar en uno de los países más injustos del mundo.

* Insólita fue la pelota de Adidas, enjabonada, medio loca, que huía de las manos y desobedecía a los pies. La tal Jabulani fue impuesta aunque a los jugadores no les gustaba ni un poquito. Desde su castillo de Zurich, los amos del fútbol imponen, no proponen. Tienen costumbre.

 * Insólito fue que por fin la todopoderosa burocracia de la FIFA reconociera, al menos, al cabo de tantos años, que habría que estudiar la manera de ayudar a los árbitros en las jugadas decisivas. No es mucho, pero algo es algo. Ya era hora. Hasta estos sordos de voluntaria sordera tuvieron que escuchar los clamores desatados por los errores de algunos árbitros, que en el último partido llegaron a ser horrores. ¿Por qué tenemos que ver en las pantallas de televisión lo que los árbitros no vieron y quizá no pudieron ver? Clamores de sentido común: casi todos los deportes, el básquetbol, el tenis, el béisbol y hasta la esgrima y las carreras de autos, utilizan normalmente la tecnología moderna para salir de dudas. El fútbol, no. Los árbitros están autorizados a consultar una antigua invención llamada reloj, para medir la duración de los partidos y el tiempo a descontar, pero de ahí está prohibido pasar. Y la justificación oficial resultaría cómica, si no fuera simplemente sospechosa: El error forma parte del juego, dicen, y nos dejan boquiabiertos descubriendo que errare humanum est.

 * Insólito fue que el primer Mundial africano en toda la historia del fútbol quedara sin países africanos, incluyendo al anfitrión, en las primeras etapas. Sólo Ghana sobrevivió, hasta que su selección fue derrotada por Uruguay en el partido más emocionante de todo el torneo.

* Insólito fue que la mayoría de las selecciones africanas mantuvieran viva su agilidad, pero perdieran desparpajo y fantasía. Mucho corrieron, pero poco bailaron. Hay quienes creen que los directores técnicos de las selecciones, casi todos europeos, contribuyeron a este enfriamiento. Si así fuera, flaco favor han hecho a un fútbol que tanta alegría prometía. Africa sacrificó sus virtudes en nombre de la eficacia, y la eficacia brilló por su ausencia.

* Insólito fue que algunos jugadores africanos pudieran lucirse, ellos sí, pero en las selecciones europeas. Cuando Ghana jugó contra Alemania, se enfrentaron dos hermanos negros, los hermanos Boateng: uno llevaba la camiseta de Ghana, y el otro la camiseta de Alemania. De los jugadores de la selección de Ghana, ninguno jugaba en el campeonato local de Ghana. De los jugadores de la selección de Alemania, todos jugaban en el campeonato local de Alemania. Como América latina, Africa exporta mano de obra y pie de obra.

* Insólita fue la mejor atajada del torneo. No fue obra de un golero, sino de un goleador. El atacante uruguayo Luis Suárez detuvo con las dos manos, en la línea del gol, una pelota que hubiera dejado a su país fuera de la Copa. Y gracias a ese acto de patriótica locura, él fue expulsado pero Uruguay no.

* Insólito fue el viaje de Uruguay, desde los abajos hasta los arribas. Nuestro país, que había entrado al Mundial en el último lugar, a duras penas, tras una difícil clasificación, jugó dignamente, sin rendirse nunca, y llegó a ser uno de los mejores. Algunos cardiólogos nos advirtieron, desde la prensa, que el exceso de felicidad puede ser peligroso para la salud. Numerosos uruguayos, que parecíamos condenados a morir de aburrimiento, celebramos ese riesgo, y las calles del país fueron una fiesta. Al fin y al cabo, el derecho a festejar los méritos propios es siempre preferible al placer que algunos sienten por la desgracia ajena. Terminamos ocupando el cuarto puesto, que no está tan mal para el único país que pudo evitar que este Mundial terminara siendo nada más que una Eurocopa. Y no fue casual que Diego Forlán fuera elegido mejor jugador del torneo.

* Insólito fue que el campeón y el vicecampeón del Mundial anterior volvieron a casa sin abrir las maletas. En el año 2006, Italia y Francia se habían encontrado en el partido final. Ahora se encontraron en la puerta de salida del aeropuerto. En Italia, se multiplicaron las voces críticas de un fútbol jugado para impedir que el rival juegue. En Francia, el desastre provocó una crisis política y encendió las furias racistas, porque habían sido negros casi todos los jugadores que cantaron “La Marsellesa” en Sudáfrica. Otros favoritos, como Inglaterra, tampoco duraron mucho. Brasil y Argentina sufrieron crueles baños de humildad. Medio siglo antes, la selección argentina había recibido una lluvia de monedas cuando regresó de un Mundial desastroso, pero esta vez fue bienvenida por una abrazadora multitud que cree en cosas más importantes que el éxito o el fracaso.

* Insólito fue que faltaran a la cita las superestrellas más anunciadas y más esperadas. Lionel Messi quiso estar, hizo lo que pudo, y algo se vio. Y dicen que Cristiano Ronaldo estuvo, pero nadie lo vio: quizás estaba demasiado ocupado en verse.

* Insólito fue que una nueva estrella, inesperada, surgiera de la profundidad de los mares y se elevara a lo más alto del firmamento futbolero. Es un pulpo que vive en un acuario de Alemania, desde donde formula sus profecías. Se llama Paul, pero bien podría llamarse Pulpodamus. Antes de cada partido del Mundial, le daban a elegir entre los mejillones que llevaban las banderas de los dos rivales. El comía los mejillones del vencedor, y no se equivocaba. El oráculo octópodo influyó decisivamente sobre las apuestas, fue escuchado en el mundo entero con religiosa reverencia, fue odiado y amado y hasta calumniado por algunos resentidos, como yo, que llegamos a sospechar, sin pruebas, que el pulpo era un corrupto.

* Insólito fue que al fin del torneo se hiciera justicia, lo que no es frecuente en el fútbol ni en la vida. España conquistó, por primera vez, el campeonato mundial de fútbol. Casi un siglo esperando. El pulpo lo había anunciado, y España desmintió mis sospechas: ganó en buena ley, fue el mejor equipo del torneo, por obra y gracia de su fútbol solidario, uno para todos, todos para uno, y también por las asombrosas habilidades de ese pequeño mago llamado Andrés Iniesta. El prueba que a veces, en el reino mágico del fútbol, la justicia existe.

 * * * Cuando el Mundial comenzó, en la puerta de mi casa colgué un cartel que decía Cerrado por fútbol. Cuando lo descolgué, un mes después, yo ya había jugado sesenta y cuatro partidos, cerveza en mano, sin moverme de mi sillón preferido. Esa proeza me dejó frito, los músculos dolidos, la garganta rota; pero ya estoy sintiendo nostalgia. Ya empiezo a extrañar la insoportable letanía de las vuvuzelas, la emoción de los goles no aptos para cardíacos, la belleza de las mejores jugadas repetidas en cámara lenta. Y también la fiesta y el luto, porque a veces el fútbol es una alegría que duele, y la música que celebra alguna victoria de ésas que hacen bailar a los muertos, suena muy cerca del clamoroso silencio del estadio vacío, donde ha caído la noche y algún vencido sigue sentado, solo, incapaz de moverse, en medio de las inmensas gradas sin nadie.

Eduardo Galeano

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publicado às 04:30

Como a RBS virou partido no sul

por blogdobesnos, em 14.04.12

Como a RBS virou partido no Sul


publicada sexta-feira, 27/08/2010 às 17:59 e atualizada sexta-feira, 27/08/2010 às 18:43

 

Os gaúchos gostam de dizer que o Rio Grande do Sul é o Estado mais politizado do Brasil. Os italianos também diziam o mesmo sobre seu país, no continente europeu. E os politizados italianos terminaram entregando o poder a Berlusconi – um magnata que é dono de TV, comanda um time de futebol e mantem casas luxuosas por onde circulam moças de fino trato e pouca roupa. O Rio Grande do Sul caminha por terreno também pantanoso. Só que lá, em vez de um Berlusconi, há uma corporação midiática a espalhar seus tentáculos pelo Estado, pela política.

Li sobre esse quadro aterrador no “RS Urgente”, de Marco Aurelio Weissheimer. O artigo que reproduzo abaixo mostra como a RBS se transformou no grande partido político conservador no Rio Grande do Sul. A falência das grandes legendas conservadoras no Brasil (DEM e PSDB) é um sinal de que a o caminho da direita nos próximos anos pode ser parecido com o que já vemos no sul. A mídia e o mundo do espetáculo – esse será o celeiro de onde virão os líderes conservadores. A RBS pode ter sido a pioneira. Bom saber como esse fenômeno funciona, para saber o que virá por aí no Brasil.

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RBS, COMO SE FOSSE UM PARTIDO

por Ayrton Centeno

Suponha que Ali Kamel fosse presidente da República. Fantasie um pouco mais e descubra Miriam Leitão, também eleita, subindo a rampa do Palácio do Planalto. Sob o impulso do mesmo delírio coloque Fátima Bernardes candidata ao Senado Federal. Fátima vai disputar a cadeira que o senador Faustão não deseja mais ocupar. Difícil conceber? É possível. Mas não no Rio Grande do

Sul. Ninguém ficaria surpreso. É que este cotidiano sequestrado ao realismo fantástico “naturalizou-se” no território gaúcho. Um exemplo: desde 1994, egressos dos quadros do grupo RBS – a Globo local – disputam todas as eleições para governador naquele que, durante muito tempo, jactou-se de ser o estado mais politizado do Brasil. E, em duas ocasiões, eles venceram. Em

2010, a RBS novamente está no páreo não apenas para o Palácio Piratini, mas também para o Senado, a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

Com 21 emissoras de TV (18 afiliadas à Globo), 25 rádios, oito jornais diários e quatro portais na internet, a RBS não comanda apenas a mídia, mas boa parte dos corações e mentes no Sul. Em 1994, quando seu ex-diretor de telejornalismo Antonio Britto elegeu-se governador, a força do conglomerado tornou-se ainda mais notória. Nas prévias do PMDB, os dois candidatos em confronto tinham raízes na RBS: Britto e o deputado federal e apresentador de rádio e TV Mendes Ribeiro. Em 1998 e 2002, Britto tentou retornar ao governo. Em 2006, mais uma procedente da RBS chegaria ao Piratini: Yeda Crusius. Eleita pelo PSDB, Yeda popularizou sua imagem com aparições diárias no telejornal noturno da então TV Gaúcha, onde ocupava um espaço de análise econômica. Dali desabrochou para a política a bordo de uma esquisitice.

No governo Itamar Franco, o presidente pediu ao amigo Pedro Simon a indicação de uma mulher para fazer florir seu ministério que considerava demasiadamente carrancudo e atulhado de homens. Simon lembrou-se da professora de economia que aparecia bem na TV. E, como as coisas aconteciam sob Itamar, da noite para o dia, Yeda virou ministra do Planejamento. Durou 70 dias, uma passagem breve e bisonha — foi informada da existência do Plano Real na coletiva de lançamento – mas acarpetou seu trajeto para a Câmara Federal. Em 2010, tenta reeleger-se governadora.

Para o Senado, a jornalista Ana Amélia Lemos é a representante do poder do grupo no pleito de outubro. Após décadas chefiando a sucursal de Brasília, com presença diária no rádio, na televisão e no jornal Zero Hora, ela ingressou na corrida como candidata do PP. Mas, na cabeça do eleitor, não vai estar o partido submerso no escândalo do Detran/RS, que fez evaporar R$ 44 milhões dos cofres estaduais, e sim a figura que diariamente entrava na sua sala para tratardos temas mais candentes do Brasil. E conta com boas chances de sucesso, embora enfrentando dois pesos-pesados: o atual senador Paulo Paim (PT) e o ex-governador Germano Rigotto (PMDB).

Se isto ocorrer, Ana Amélia ocupará a cadeira do senador Sérgio Zambiasi (PTB), apresentador de programas populares na rádio Farroupilha, também da empresa. Aportando no Senado em 2002, após sucessivas eleições como um dos deputados estaduais mais votados do país e presidente da Assembleia Legislativa, Zambiasi absteve-se de concorrer em 2010. Projeta um cargo no executivo em 2012 ou 2014. Além das eleições majoritárias, os representantes do time da RBS sempre se engajaram na caça às vagas nas proporcionais. Neste ano não será diferente. O ex-vice-presidente institucional do grupo, Afonso Motta, concorre a deputado federal pelo PDT. Um dos parlamentares mais votados do estado em 2006, Paulo Borges elegeu-se com a ajuda do cognome “O Homem do Tempo” – era o encarregado da previsão na RBS TV – e disputa a reeleição pelo DEM.

Como regra quase sem exceções, os candidatos assim forjados não possuem vida partidária pregressa, escalando cargos eletivos por obra da exposição midiática e de sua natureza de personalidades “não-políticas”. Com perfil conservador, alinham-se no espectro que vai do centro à direita. Nesta modalidade de berlusconização delegada, como emergem na condição de criaturas da mídia, dificilmente contrastam os muitos interesses da mesma mídia que os criou.

Não falta quem diga que é um partido, o PRBS. Não falta quem diga que é o único. Um exagero, deve-se convir. Porém, com os jornais mais influentes, a TV aberta e as rádios AM e FM líderes de audiência, supõe-se até que 90% dos assuntos que freqüentam as conversas dos gaúchos tenham origem na pauta da RBS. Verdade ou não, vale como elemento de reflexão sobre o efeito aberrante da concentração e da propriedade cruzada dos meios de comunicação no jogo eleitoral e na livre manifestação dos eleitores. Vinte e cinco anos após o suspiro final de sua última ditadura, é uma pedra no caminho de um país que ainda constrói penosamente sua democracia.

(*) Jornalista, artigo publicado originalmente em Brasília Confidencial

Observação: RBS é a sigla da Rede Brasil Sul de Comunicações, afiliada da Rede Globo.

Recebido por e-mail. Hilton

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publicado às 04:15

Contra a exclusão social

por blogdobesnos, em 14.04.12

CONTRA A EXCLUSÃO SOCIAL

Fonte: Diário do Nordeste, publicado em 19/09/2011

 

Novas teorias divulgadas por cientistas políticos tentam desmistificar um dos conceitos mais difundidos sobre as causas da proliferação da pobreza, exatamente aquela que relaciona o nível de escolaridade com a maior ou menor possibilidade de serem alcançadas melhores condições de vida e na escala social. O tema, altamente polêmico, dissocia a carência de estudos da acessibilidade à renda, após pesquisas recentemente realizadas em áreas pobres das cidades de São Paulo e Salvador. Os estudos procedidos apontam as relações sociais dos menos favorecidos como item indispensável à produção de novas políticas na área, concluindo que o combate à pobreza pode estar menos ligado à prática assistencialista de dar dinheiro ao cidadão do que a de criar oportunidades de relacionamento social. Esse conceito não é novo, mas agora tende a impor-se definitivamente.

A principal premissa dessa teoria parte da evidência de que quanto mais ambientes diferentes alguém pode acessar, mais informações válidas pode receber e outras oportunidades surgirão no sentido de abrir oportunidades de trabalho. A diferença básica, entre as chances viáveis das classes média e pobre, resulta da diversidade do círculo de relações que cada uma delas detém, mesmo que os integrantes de ambas apresentem o mesmo nível de escolaridade.

As redes também propiciam maior acesso a bens e serviços, além de outras espécies de apoios sociais que não são mediados por dinheiro. Para o estudioso Eduardo Marques, da Universidade de São Paulo (USP), autor de tese sobre o tema e coordenador da Associação Brasileira de Ciência Política, criar e manter vínculos, no caso dos mais pobres, acarreta um custo financeiro acima de suas possibilidades, impossibilitando-os de formar a rede de relacionamentos exigidos. Em decorrência disso, inexiste transição, a exemplo de um ritual de passagem, entre o ensino fundamental, ou médio, até o ensino superior, pois os relacionamentos continuam os mesmos da infância e da adolescência, dentro de um círculo social bastante restrito.

No Reino Unido britânico, existe uma unidade estratégica, a “Social Exclusion Task Force” (Força-Tarefa contra Exclusão Social), a qual objetiva, exatamente, a implementação de políticas públicas, para facilitar essa transição de pessoas oriundas das classes mais pobres a um mercado de trabalho, cujas redes sociais de relacionamentos exercem papel decisivamente importante.

Na opinião dos cientistas ligados ao tema, o Brasil ainda está longe de produzir programas no gênero, incentivando oportunidades de relações para os pobres, com a finalidade de conciliar seu acervo de aprendizado com as possibilidades que lhes podem ser proporcionadas no mercado de trabalho, muitas vezes circunscritas a um círculo social limitado e imutável, por vezes durante toda uma existência.

A multiplicação de interações sociais em que possam coexistir diferentes segmentos da sociedade, além dos precários limites até hoje oferecidos quase que exclusivamente pelo mundo virtual, anularia, em grande parte, os paredões da carência, do isolamento e da falta de circunstâncias para a obtenção de melhor qualidade de vida entre a população carente.

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publicado às 03:53

Contra a exclusão social

por blogdobesnos, em 14.04.12

CONTRA A EXCLUSÃO SOCIAL

Fonte: Diário do Nordeste, publicado em 19/09/2010

 

Novas teorias divulgadas por cientistas políticos tentam desmistificar um dos conceitos mais difundidos sobre as causas da proliferação da pobreza, exatamente aquela que relaciona o nível de escolaridade com a maior ou menor possibilidade de serem alcançadas melhores condições de vida e na escala social. O tema, altamente polêmico, dissocia a carência de estudos da acessibilidade à renda, após pesquisas recentemente realizadas em áreas pobres das cidades de São Paulo e Salvador. Os estudos procedidos apontam as relações sociais dos menos favorecidos como item indispensável à produção de novas políticas na área, concluindo que o combate à pobreza pode estar menos ligado à prática assistencialista de dar dinheiro ao cidadão do que a de criar oportunidades de relacionamento social. Esse conceito não é novo, mas agora tende a impor-se definitivamente.

A principal premissa dessa teoria parte da evidência de que quanto mais ambientes diferentes alguém pode acessar, mais informações válidas pode receber e outras oportunidades surgirão no sentido de abrir oportunidades de trabalho. A diferença básica, entre as chances viáveis das classes média e pobre, resulta da diversidade do círculo de relações que cada uma delas detém, mesmo que os integrantes de ambas apresentem o mesmo nível de escolaridade.

As redes também propiciam maior acesso a bens e serviços, além de outras espécies de apoios sociais que não são mediados por dinheiro. Para o estudioso Eduardo Marques, da Universidade de São Paulo (USP), autor de tese sobre o tema e coordenador da Associação Brasileira de Ciência Política, criar e manter vínculos, no caso dos mais pobres, acarreta um custo financeiro acima de suas possibilidades, impossibilitando-os de formar a rede de relacionamentos exigidos. Em decorrência disso, inexiste transição, a exemplo de um ritual de passagem, entre o ensino fundamental, ou médio, até o ensino superior, pois os relacionamentos continuam os mesmos da infância e da adolescência, dentro de um círculo social bastante restrito.

No Reino Unido britânico, existe uma unidade estratégica, a “Social Exclusion Task Force” (Força-Tarefa contra Exclusão Social), a qual objetiva, exatamente, a implementação de políticas públicas, para facilitar essa transição de pessoas oriundas das classes mais pobres a um mercado de trabalho, cujas redes sociais de relacionamentos exercem papel decisivamente importante.

Na opinião dos cientistas ligados ao tema, o Brasil ainda está longe de produzir programas no gênero, incentivando oportunidades de relações para os pobres, com a finalidade de conciliar seu acervo de aprendizado com as possibilidades que lhes podem ser proporcionadas no mercado de trabalho, muitas vezes circunscritas a um círculo social limitado e imutável, por vezes durante toda uma existência.

A multiplicação de interações sociais em que possam coexistir diferentes segmentos da sociedade, além dos precários limites até hoje oferecidos quase que exclusivamente pelo mundo virtual, anularia, em grande parte, os paredões da carência, do isolamento e da falta de circunstâncias para a obtenção de melhor qualidade de vida entre a população carente.

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publicado às 03:52

Desenvolvimento: teoria, prática, história

por blogdobesnos, em 14.04.12

Desenvolvimento: teoria, prática, história

 

Henrique Rattner

 

Esse é o tema da Aula Magna de Henrique Rattner na Cidade do Conhecimento em 2010. Henrique Rattner é licenciado em Ciências Sociais, com mestrado em Sociologia, doutorado em Economia na Universidade de São Paulo e Pós-doutorado em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts – M.I.T – EUA. Foi diretor nacional do programa “Leadership for Enviromment and Development – LEAD” da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Economia, Sociedade e Meio Ambiente – NAMA. É professor titular aposentado da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, coordenador de pesquisas e consultor de instituições nacionais (CNPq, FINEP, MCT, SEPLAN-SP, SENAI, SEBRAE) e internacionais (Organização Panamericana de Saúde, Organização Internacional do Trabalho – OIT, Universidade das Nações Unidas – UNU, UNESCO, Banco Mundial). Publicou cerca de 20 livros e mais de 100 artigos em revistas e jornais, nas áreas de política científica e tecnológica, economia e meio ambiente.

*

O conceito de desenvolvimento tem sido, não raramente, confundido com o de crescimento econômico, o que levou à hegemonia dos economistas na formulação de teorias e diretrizes sobre esses processos sócio-culturais. Nas primeiras décadas do período pós-segunda guerra mundial, abundaram as receitas sobre a “formação de capital” (Ragnar Nurkse); “As etapas de desenvolvimento” (W. Rostow) e o famoso “trickle–down effect” – o efeito de filtragem e outros, de vários autores que procuravam orientar as políticas governamentais de desenvolvimento.

Os resultados, em termos de desenvolvimento, foram decepcionantes: as riquezas geradas pelos investimentos foram acumuladas por uma minoria, levando a uma concentração perversa das riquezas por um lado, e de pobreza e miséria por outro, tanto em nível interno dos países quanto em escala global, dividindo o mundo entre uma minoria rica vivendo na opulência e uma maioria carente do mínimo para a subsistência.

A percepção e o equacionamento do problema mudaram radicalmente com a publicação do seminal Relatório ao Clube de Roma, elaborado sob a orientação do professor Jay Forrester do MIT e intitulado “Os limites do Crescimento”. Os autores partiram de uma visão sistêmica e interdisciplinar, cruzando as variáveis População – Alimentos – Terra e Fertilizantes Químicos – Produção Industrial – Energia como causas de poluição ambiental crescente, chegando à conclusão da imperiosidade de se estabelecer limites ao crescimento econômico. O estudo do grupo do MIT desencadeou uma onda de manifestações, geralmente pessimistas, sobre o futuro do planeta, assim como propostas de como salvar a humanidade.

Significativo a este respeito foi o Relatório Brundtland – “Nosso Futuro Comum”, de 1987, que abriu o caminho para a CNUMAD – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992, no Rio de Janeiro.

A partir da Conferência do Rio, o discurso, e até certo ponto, a prática evoluíram do enfoque ecologista para o social e político, particularmente com a formulação da Agenda 21, que pretendia fixar metas quantitativas para as áreas de saúde, educação, saneamento e moradia, em nível local e nacional. É verdade, foram poucos os municípios e estados que se empenharam em cumprir as metas da Agenda 21, o que seria um passo em direção ao desenvolvimento sustentável, superando o enfoque estreito e reducionista dos economistas e dos ecólogos.

Apesar das resoluções do Protocolo de Kyoto, em 1997, e de Montreal, de 1987, sobre a redução das emissões de gases CFC, as negociações sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global terrestre, estancaram com a recusa dos EUA, da China e da Austrália, os maiores poluidores por carvão e petróleo, de assumir qualquer compromisso de redução, no que foram seguidos por outros governos.

Assim, as conferências mundiais sobre meio ambiente de Johanesburgo em 2002 e de Copenhague em 2009 fracassaram na tentativa de estabelecer um acordo global, adiado para a próxima conferência, planejada para o México, em 2010.

Nos anos de 1990, surgiu a obra de Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia, intitulada “Desenvolvimento como Liberdade”, ou seja, segundo o autor, a ampliação da capacidade dos indivíduos terem opções, fazerem escolhas. Relativizando a importância dos fatores materiais e dos indicadores econômicos, Sen insiste na ampliação do horizonte social e cultural na vida das pessoas. A base material do desenvolvimento é fundamental, mas deve ser considerada como um meio e não como um fim em si.

O desafio para a sociedade é formular políticas que permitam, além do crescimento da economia, a distribuição mais equitativa da renda e o pleno funcionamento da democracia. Os índices de desenvolvimento humano calculados nesses últimos anos pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – revelam, além da capacidade produtiva, a confiança das pessoas uns nos outros e no futuro da sociedade.

Ao postular a melhora da qualidade de vida em comum, destacam-se as possibilidades das pessoas levarem adiante iniciativas e inovações que lhes permitam concretizar seu potencial criativo e contribuir efetivamente para a vida coletiva. Seguindo esse raciocínio, Sen resume suas idéias sobre o desenvolvimento como as possibilidades de “poder contar com a ajuda dos amigos”, ou seja, a cooperação e a solidariedade entre os membros da sociedade que constrói seu capital social.

Para Sen, os valores éticos dos empresários e dos governantes constituem parte relevante dos recursos produtivos, por orientar seus investimentos, em vez de para a especulação, para inovações tecnológicas que contribuem para a inclusão social. Quanto maior o capital social – a rede de relações sociais e o grau de confiança mútua, menor a corrupção e a sonegação de impostos, e maiores os incentivos para criar programas e projetos que favoreçam a igualdade e equidade, e que estimulem melhores serviços públicos de educação e saúde, que impulsionariam o crescimento econômico e possibilitariam a governabilidade democrática.

São inúmeros os projetos de “desenvolvimento” lançados e executados pela iniciativa privada ou pelo poder público, às vezes até em um tipo de “joint venture” – a parceria público-privada (PPP), que deveriam aliviar o peso da pobreza e da exclusão social. Um dos projetos mais divulgados e louvados, nos anos 60 do século passado, foi a chamada “revolução verde”, concebida por Norman Borlaugh – prêmio Nobel – que transformaria a agricultura de subsistência, sobre tudo na Índia e nos países asiáticos. Sementes selecionadas, emprego maciço de fertilizantes químicos e de agrotóxicos, e sistemas de irrigação iriam multiplicar as colheitas, aumentar a produtividade da terra e do agricultor, produzindo alimentos para todos.

Decorrido meio século desde a revolução verde, verifica-se que os pequenos lavradores e os trabalhadores rurais ficaram mais empobrecidos, perderam suas glebas e migraram para as cidades, engrossando o exército dos desabrigados e desempregados, enquanto prosseguia o processo de concentração de terras e de capital. Algo semelhante ocorreu recentemente com a invasão dos canaviais e do plantio da soja em áreas de agricultura familiar e tradicional. O agronegócio está invadindo enormes áreas no sul, sudeste e centro-oeste do país, com a mecanização da agricultura, transformando a paisagem geográfica e ameaçando os biomas da caatinga, do agreste, do cerrado e da floresta amazônica. Novamente, os pequenos lavradores estão sendo expulsos de suas terras por não poderem arcar com os custos dos equipamentos, sementes, frequentemente geneticamente modificadas, e das instalações de irrigação, sem falar dos custos elevados de armazenamento e de transporte.

Outro projeto merecedor de menção nesse contexto foi o plantio de algodão na ex–União Soviética, na região do lago Aral. Antes da implantação do projeto havia um paraíso ecológico à semelhança de nosso Pantanal; o projeto lançado pelo governo Krushev conseguiu drenar as águas do lago, expulsar a riquíssima fauna e destruir a flora natural. Os erros foram descobertos tarde demais e os danos ambientais a uma das regiões mais ricas e bonitas do país foram irreversíveis.

Seria um bom exercício pesquisar os projetos de “desenvolvimento” elaborados e executados sem o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto no Meio Ambiente), cujos impactos negativos foram socializados e os lucros, privatizados. Esses e outros tantos projetos fracassados nos levam a proclamar e reivindicar a adoção de critérios éticos na equação da sustentabilidade de projetos, sejam eles privados ou públicos. O princípio da precaução e a máxima de não causar mal aos seres humanos e ao ambiente devem figurar em qualquer projeto. Por isso, na elaboração, execução e avaliação de projetos de desenvolvimento, é imprescindível a presença de equipes interdisciplinares, capazes de formular e aplicar uma visão sistêmica, em oposição à linear, cartesiana.

Desenvolvimento – a luz vem do oriente?

Após o abalo e a maior recessão econômica sofrida nas últimas décadas, a economia mundial está tateando para reencontrar seu equilíbrio e iniciar o caminho de recuperação. Todavia, como evidenciam os dados estatísticos de alguns países europeus – os PIGS – Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – sem falar dos países, bálticos, a crise financeira continua a pleno vapor e seus impactos são sentidos em todas as atividades econômicas, na indústria, no comércio e na agricultura, com níveis de desemprego altíssimos.

Nos países antes considerados “ricos”, o progresso relativo no combate à pobreza e ao subdesenvolvimento conseguido nas últimas décadas do século vinte, foi apagado pelo aumento das taxas de desemprego que superam os 10% da força de trabalho e dos preços de alimentos. Filas de pessoas em busca de um prato de comida passaram a fazer parte da rotina, mesmo nos Estados Unidos.

O fracasso das políticas tradicionais de desenvolvimento por meio de macro investimentos em infra-estrutura mostra as hesitações do capital privado diante a incerteza e os riscos dos mercados, enquanto os recursos do poder público se mostram insuficientes para reanimar os investimentos e as atividades produtivas.

Neste contexto, um caminho alternativo, sobretudo para os mais carentes e excluídos, surge de uma experiência positiva de “desenvolvimento”, num dos países mais pobres do mundo, o Bangladesh.

BRAC – Bangladesh Rehabilitation Assistance Committee, fundado em 1972 por Fazle Hasan Abed, um homem de negócios de Bangladesh, é incomparavelmente a maior e a mais rapidamente se expandindo organização não governamental do mundo. Embora Muhammad Yunus, outro bangladeshi, foi ganhador do prêmio Nobel da Paz, em 2006, por sua ajuda aos pobres, seu Banco Grameen não foi a primeira e nem a maior instituição de micro financiamento no Bangladesh.

BRAC é a maior – suas operações de micro financiamento envolvem um bilhão de US$ por ano. Além disso, ela mantém um serviço de internet, uma universidade e, em suas escolas primárias estudam 11% das crianças de Bangladesh. Suas atividades econômicas incluem a administração de uma fábrica de ração animal, avicultura, plantações de chá e empresas de embalagens. BRAC demonstra que ONGs não precisam ser pequenas e mesmo instituições pequenas de países pobres podem superar instituições filantrópicas ocidentais, operando com grande volume de recursos. Diferentes autores consideram BRAC o maior e o mais diversificado experimento social do mundo em desenvolvimento.

A difusão de seu trabalho supera em seus impactos sobre o desenvolvimento outros empreendimentos governamentais, privados e de ONGs, sem fins lucrativos. Empregando com suas operações mais de 100.000 pessoas, predominantemente mulheres, BRAC assiste com suas atividades a 110 milhões de pessoas, beneficiadas por uma vasta gama de programas de desenvolvimento econômico e social, nas áreas de saúde, educação, direitos humanos e serviços legais.

Tudo começou depois de um tufão ter levado inúmeros refugiados ao escritório de Fazle Abed, levando o a criar a Comissão de Rehabilitação Assistencial, combinando dois fatores dificilmente conciliáveis: administrar uma ONG como se fosse uma empresa e levando a sério o contexto da pobreza.

BRAC aufere 80% de seus recursos de suas operações e o resto é proveniente de doadores, principalmente ocidentais. Atividades que exigem subsídios constantes são abandonadas. Desde o começo, Fazle Abed insiste em honestidade absoluta na divulgação dos resultados. BRAC presta bem mais atenção à pesquisa e “aprendizagem contínua” do que a maioria das ONGs.

O que torna BRAC única e especial em seu gênero é sua combinação de fazer negócios e sua visão da pobreza. Esta é geralmente considerada como um problema econômico que pode ser aliviado pelo envio de dinheiro. Influenciado por três pensadores do movimento de “libertação”, muito acatados nos anos sessenta do século passado, Frantz Fanon, Paulo Freire e Ivan Illich, o fundador de BRAC admite que a pobreza nos vilarejos de Bangladesh seja o resultado de uma rígida estratificação social.

Nessas circunstâncias, “desenvolvimento comunitário” irá ajudar mais os ricos do que os pobres e por isso, para eliminar a pobreza, deve se mudar a sociedade.

Esta visão levou o fundador do BRAC para o caminho do desenvolvimento. Mulheres se tornaram o foco da instituição por que elas estão na base da sociedade e as mais necessitadas de ajuda. 70% das crianças nas escolas do BRAC são meninas. Operações de micro financiamento ajudam os pobres a poupar, mas, diferentemente do Grameen Bank. BRAC empresta bastante a pequenas empresas. Pequenos empréstimos podem melhorar significativamente a situação de um indivíduo ou de uma família, mas freqüentemente são investidos em empreendimentos rurais tradicionais, tais como a aquisição de uma vaca leiteira ou de ovelhas.

A ideologia do BRAC com referência à mudança social exige não o crescimento (no sentido de mais do mesmo), mas o desenvolvimento de atividades novas e diferentes, criando empregos e novas formas de empreendimentos produtivos.

Após trinta anos de atuação no Bangladesh, BRAC difundiu e aperfeiçoou suas atividades e está expandindo seu raio de ação para outros países em desenvolvimento. Alcançou a posição de maior ONG no Afeganistão, Tanzânia, Uganda e entra no Sri Lanka, Sul do Sudão, Libéria, Sierra Leone e Paquistão, superando de longe as organizações de caridade ocidentais, britânicas e americanas que atuam nesses países há várias décadas. Segundo David Corten, autor de “Quando as corporações governam o mundo”, “BRAC está mais próxima de uma organização de aprendizagem que possa existir”.

Vindo de um país pobre e islâmico significa que enfrenta menos resistência do que as organizações ocidentais. Seus custos de operação são significativamente mais baixos e seus funcionários não circulam em peruas com motores potentes.

Sua expansão além mar pode representar novos problemas para BRAC. As ONGs estabelecem freqüentemente uma ligação no vazio criado entre os governos, distantes e corruptos, e os milhares de vilarejos, dispersos na área rural. BRAC conseguiu isto no Bangladesh, sendo uma organização nativa. Será que conseguirá o mesmo resultado em outros países?

Fonte: http://www.cidade.usp.br/blog/

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publicado às 03:37

Meus amados filhos criativos!

por blogdobesnos, em 14.04.12

Criativo 1


Pois o Matheus pegou uma caixa da Natura e improvisou uma cabeça de robo: abriu espaço para os olhlos e para a boca (esqueceu o nariz) e resolveu ir, no dia seguinte, à escola usando a caixa-cabeça-de-robo. A Aninha argumentou que ficava muito esquisito sair na rua com a caixa enfiada na cabeça, mas o Matheus não desistiu. Foi e voltou. À noite a Aninha me contou o que tinha acontecido. A justificativa do Matheus era a de que ele queria se divertir e ao mesmo tempo dar um pouco de alegria para as pessoas, queria que elas sorrissem, se sentissem bem.

Ontem à tarde fui buscar o Matheus no curso de inglês, e percebi, na rua, que ele tinha atingido o que queria. As pessoas passavam, olhavam o menino, brincavam com ele, sorriam de uma maneira pura que nós que somos adultos muitas vezes acabamos perdendo. Uma moça conversou com ele, pediu que ele tirasse a caixa (alguns o chamaram de homem-caixa!) da cabeça, disse que ele era muito mais bonito sem a caixa e apresentou-se como professora de educação física, lá no município de Teutônia, interior do Rio Grande. Gostou tanto da idéia que disse que iria adotá-la com suas turmas.

Ao retornarmos para casa estávamos felizes. A idéia do Math tinha dado muito mais do que certo, e ficamos, eu e a Ana conversando sobre o assunto, a criatividade, a reação das pessoas e pensando que, afinal, toda a idéia tinha sido de um menino de oito anos de idade.

 

Criativo 2


Miguel, depois de ler Bukowsky, me disse que gostaria muito de ler outro volume do “old dirty man”. Combinamos e fomos até a Livraria Londres, na Oswaldo Aranha, onde comprei o livro e pedi uma embalagem de presente. A leitura sempre foi um prazer para o Mig, e é muito gratificante quando a sua mulher e o seu filho ficam conversando sobre livros. Anos atrás, em Fortaleza, ganhou do tio Raimundo o apelido de “come-livros”, porque devorava Harry Potter.

Meu Mig, que tem dezessete anos, é um leitor (os próximos serão Hemingway e Orwell) e alguém que gosta muito de arte e que, daqui há alguns dias vai fazer a prova de proficencia em música para o vestibular da UFRGS. Quando o vejo tocar, penso que realmente a escolha foi muito interessante e diz bem de sua preferência. Gravitar pela música é um sonho. Quando o elogio ao violão, ele me abre um sorriso meigo, mas condescendente e diz “-Pai, isso não é música no sentido que tu diz, é uma peça de estudo.” Peça de estudo ou não, fico sinceramente feliz, porque creio que alguém que aprende e trabalha no que gosta é, em tudo, uma pessoa afortunada.

Os pais devem orientar, mas o futuro é dos filhos. Deus me abençoou com o Miguel, leitor habitual e futuro músico. Que eu possa cada vez mais estar presente em sua vida.

 

Criativo 3


Gabriel, Fernanda, Bistrô, uma combinação que está dando cada vez mais certo. Meu filho pensa e trabalha agora estrategicamente a expansão da casa de design, do laboratório de criação, o que demanda conhecimento, sinergia e, especialmente paixão pelo que faz. Essa construção vem de algum tempo, e vem colecionando sucessos.

Você já ouviu falar em ponto Y? Assim como o desenho da letra, é uma bifurcação, é uma retomada de caminho, é um processo de aprendizagem, no qual o Gab, a Fe e a Bistrô estão navegando. Como pai, me cabe orientar dentro do que possa, sempre que meu filho quiser conversar, sempre que algum tema possa me referenciar como fonte. De todo modo, a Bistrô navega, e bem. E assim se desata a linha de argumentos, de possibilidades que vão sendo descortinadas e de background

Uma vez o Gab me ensinou que propaganda é diferente de publicidade, e eu aprendi. Outra vez me ensinou caminhos para conviver com diferenças, e eu compartilhei. Tenho orgulho do meu filho e imenso carinho pelo que ele é, pelo intenso e amoroso “clube do livro” que trocamos entre nós a toda hora. Que o arco se distenda e que a flecha voe para alcançar seu objetivo. Nela estará meu coração.

 

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publicado às 03:34

Mediocritas - só falta o retrato

por blogdobesnos, em 14.04.12

Eu quero o mínimo! Se sou aluno, quero estudar o mínimo. Se trabalho, quero trabalhar o mínimo. Se sou devedor, quero pagar o mínimo. Se há qualquer esforço pela frente, que ele seja o mínimo. Quero mínimas obrigações, e meu respeito pelos Outros é, preferencialmente, o mínimo.

Os medíocres  adoram o mínimo, quando se trata de cooperar, trabalhar, ajudar, ou fazer qualquer esforço. Dias desses estava na escola, cumprindo três turnos de trabalho, manhã, tarde e noite. Um dos colegas saiu, terminado o turno da tarde, aos berros, lá da sala dos professores:

- Vou embora pra casa! Os trouxas que fiquem!!!!!!!!

É o retrato acabado do medíocre. Para tal tipo de vírus social, os outros sempre são os idiotas, os estúpidos; por sua vez, todos devem ao medíocre. Para ele os demais são obrigados a aguentar seus abusos, incomodos e seus ataques de histeria, pois o mundo lhe deve, a sociedade lhe deve, pois os mesmos são o centro do mundo. Mais um pouco e o universo existe para eles, de modo que todos lhe devem favores, atenção. Suas palavras são aquelas sem as quais o interessante não ocorre.

O medíocre, por seu turno, tem de saber, indagar e, no mínimo, procurar utilizar-se das informações a respeito de qualquer outro, especialmente se esse outro não faz parte da mesma tribo. Uma vez sabidas, ele arquivará em sua mente tais informações para, aos berros, sacudí-la ao mundo (mesmo que este não esteja interessado) assim que entender que o seu interesse ou mesmo a sua palavra não é a final.

O outro tipo de vírus é o medíocre aproveitador. Esse não perde um momento, um instante, uma mínima (tudo nele é mínimo) oportunidade para descartar-se de algo que tenha de fazer, de modo que outro o faça. Usa desde a calúnia até a mais nojenta bajulação para tanto, desde que outro se encarregue do que ele deveria fazer.

Para o medíocre sempre o seu argumento é o melhor, e qualquer outro que não pense assim é vítima, passa a ser alvo. O medíocre normalmente é conservador (o que, absolutamente não significa que todo conservador é medíocre, longe de mim pensar ou escrever isso!) não porque pense que é o melhor, mas simplesmente porque o seu pensamento não passsa longe das obviedades que dizemos todos os dias. O problema é que o medíocre não apenas acredita, mas sustenta a sua linha de raciocínio e de argumentação dessa maneira.

Ah, sim,  o medíocre sempre está sendo vítima de um complô, de uma perseguição, de uma intifada. Sempre os outros, os maldosos, os bandidos, perseguem o medíocre, que estará sempre sendo acuado, molestado, incomodado. O medíocre sempre trabalha mais que os outros, sempre é mais esperto que os outros e sempre vê nos outros um bando de incompetentes. É claro que se ele trabalhasse com Einstein, teria sido ele ou a descobrir o quarto estado da matéria ou iniciaria um bate-boca a respeito da teoria da relatividade. Por vezes, inclusive, o medíocre se traveste em bobo da corte. Ele pensa que as pessoas riem do que ele diz, mas, não raro, elas riem do ridículo que ele propõe, e dele mesmo por se colocar voluntariamente como ridículo. Mas, óbvio, ele não se dá conta…

Mas não nos ocupemos muito desse assunto: já deveríamos ter aprendido que tudo, absolutamente tudo que ele faz é (muito) (imensamente) melhor do que os outros fazem. Eu e você incluídos…

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publicado às 01:58


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