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É assim que a gente fala

por blogdobesnos, em 03.04.12

O nome do cordelista é Ismael Gaião da Costa, nasceu em Recife-PE.
Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE – Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.


Publicou 20 (vinte) “Cordéis” e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).
É filiado à UNICORDEL – União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores.


Assina a Coluna COLCHA DE RETALHOS, no JORNAL DA BESTA FUBANA – uma gazeta da bixiga lixa (Blog), Condado-PE, em 07 de maio de l961. Reside no (www.luizberto.com), publicando poesias, prosas e contos, diariamente.


Ganhador da 4ª RECITATA – 2009(concurso de poesia declamada) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com nota 10 (dez) no Júri Popular, declamando a poesia MENINO DE RUA.

 

Ele tem um sitio no seguinte endereço:  http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=50436

 

E o endereço para o cordel é: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/1496943

 

 

É assim que a gente fala

 

 

Ismael Gaião da Costa

 

 


Há diferenciação


Porque cada região


Tem seu jeito de falar


O Nordeste é excelente


Tem um jeito diferente


Que a outro não se iguala


Alguém chato é Abusado


Se quebrou, Tá Enguiçado


É assim que a gente fala


 
Uma ferida é Pereba


Homem alto é Galalau


Ou então é Varapau


E coisa ruim é Peba


Cisco no olho é Argueiro


O sovina é Pirangueiro

 

Enguiçar é Dar o Prego


Fofoca aqui é Fuxico


Desistir, Pedir Penico


Lugar longe é Caxaprego


Ladainha é Lengalenga


E um estouro é Pipoco


Qualquer botão é Pitoco


E confusão é Arenga

 

Fantasma é Alma Penada


Uma conversa fiada


Por aqui é Leriado


Palavrão é Nome Feio


Agonia é Aperreio


E metido é Amostrado


O nosso palavreado


Não se pode ignorar


Pois ele é peculiar


É bonito, é Arretado


E é nosso dialeto


Sendo assim, está correto

 

Dizer que esperma é Gala


É feio pra muita gente


Mas não é incoerente


É assim que a gente fala

 

 

 
Você pode estranhar


Mas ele não tem defeito


Aqui bala é Confeito


Rir de alguém é Mangar

 

Mexer em algo é Bulir


Paquerar é Se Inxirir


E correr é Dar Carreira


Qualquer coisa torta é Troncha


Marca de pancada é Roncha


E a caxumba é Papeira


Longe é o Fim do Mundo


E garganta aqui é Goela


Veja que a língua é bela


E nessa língua eu vou fundo


Tentar muito é Pelejar


Apertar é Acochar

 

Homem rico é Estribado


Se for muito parecido


Diz-se Cagado e Cuspido


E uma fofoca é Babado


Desconfiado é Cabreiro


Travessura é Presepada


Uma cuspida é Goipada


Frente de casa é Terreiro

 

Dar volta é Arrudiar


Confessar, Desembuchar


Quem trai alguém, Apunhala


Distraído é Aluado


Quem está mal, Tá Lascado


É assim que a gente fala

 

 

 
Aqui valer é Vogar


E quem não paga é Xexeiro


Quem dá furo é Fuleiro


E parir é Descansar


Um rastro é Pisunhada


A buchuda é Amojada


E pão-duro é Amarrado

 

Verme no bucho é Lombriga


Com raiva Tá Com a Bixiga


E com medo é Acuado


Tocar em algo é Triscar


O último é Derradeiro


E para trocar dinheiro


Nós falamos Destrocar

 

Tudo que é bom é Massa


O Policial é Praça


Pessoa esperta é Danada


Vitamina dá Sustança


A barriga aqui é Pança


E porrada é Cipoada
 
Alguém sortudo é Cagado


Capotagem é Cangapé


O mendigo é Esmolé


Quem tem pressa é Avexado


A sandália é Percata


Uma correia, Arriata


Sem ter filho é Gala Rala


O cascudo é Cocorote


E o folgado é Folote


É assim que a gente fala

 

 

 
Perdeu a cor é Bufento


Se alguém dá liberdade


Pra entrar na intimidade


Dizemos Dar Cabimento


Varrer aqui é Barrer


Se a calcinha aparecer


Mostra a Polpa da Bunda


Mulher feia é Canhão


Neco é pra negação


Nas costas, é na Cacunda
 
Palhaçada é Marmota


Tá doido é Tá Variando


Mas a gente conversando


Fala assim e nem nota


Cabra chato é Cabuloso


Insistente é Pegajoso


Remédio aqui é Meisinha


Chateado é Emburrado


E quando tá Invocado


Dizemos Tá Com a Murrinha
 
Não concordo, é Pois Sim


Tô às ordens é Pois Não


Beco ao lado é Oitão


A corrente é Trancilim


Ou Volta, sem o pingente


Uma surpresa é, Oxente!


Quem abre o olho Arregala


Vou Chegando, é pra sair


Torcer o pé, Desmintir


É assim que a gente fala
 
A cachaça é Meropéia


Tá triste é Acabrunhado


O bobo é Apombalhado


Sem qualidade é Borréia


A árvore é Pé de Pau


Caprichar é Dar o Grau


Mercado é Venda ou Bodega


Quem olha tá Espiando


Ou então, Tá Curiando


E quem namora Chumbrega
 
Coceira na pele é Xanha


E molho de carne é Graxa


Uma pelada é um Racha


Onde se perde ou se ganha


Defecar se chama Obrar


Ou simplesmente Cagar


Sem juízo é Abilolado


Ou tem o Miolo Mole


Sanfona também é Fole


E com raiva é Infezado
 
Estilingue é Balieira


Uma prostituta é Quenga


Cabra medroso é Molenga


Um baba ovo é Chaleira


Opinar é Dar Pitaco


Axilas é Suvaco


E cabra ruim é Mala


Atrás da nuca é Cangote


Adolescente é Frangote


É assim que a gente fala

 

 

 
Lugar longe aqui é Brenha


Conversa besta, Arisia


Venha, ande, é Avia


Fofoca é também Resenha


O dado aqui é Bozó


Um grande amor é Xodó


Demorar muito é Custar


De pernas tortas é Zambeta


Morre, Bate a Caçuleta


Ficar cheirando é Fungar


A clavícula aqui é Pá


Um mal-estar é Gastura


Um vento bom é Frescura


Ali, se diz, Acolá


Um sujeito inteligente


Muito feio ou valente


É o Cão Chupando Manga


Um companheiro é Pareia


Depende é Aí Vareia


Tic nervoso é Munganga
 
Colar prova é Filar


Brigar é Sair no Braço


Nosso lombo é Ispinhaço


Faltar aula é Gazear


Quem fala alto ou grita


Pra gente aqui é Gasguita


Quem faz pacote, Embala


Enrugado é Ingilhado


Com dor no corpo, Ingembrado


É assim que a gente fala
 
Um afago é Alisado


Um monte de gente é Ruma


Pra perguntar como, é Cuma


E bicho gordo é Cevado


A calça curta é Coronha


Um cabra leso é Pamonha


E manha aqui é Pantim


Coisa velha é Cacareco


O copo aqui é Caneco


E coisa pouca é Tiquim
 
Mulher desqualificada


Chamamos de Lambisgóia


Tudo que sobra, é Bóia


E muita gente é Cambada


O nariz aqui é Venta


A polenta é Quarenta


Mandar correr é Acunha


Ter um azar é Quizila


A bola de gude é Bila


Sofrer de amor, Roer Unha
 
Aprendi desde pivete


Que homem franzino é Xôxo


Quem é medroso é um Frouxo


E comprimido é Cachete


Sujeira em olho é Remela


Quem não tem dente é Banguela


Quem fala muito e não cala


Aqui se chama Matraca


Cheiro de suor, Inhaca


É assim que a gente fala

 

 

 
Pra dizer ponto final


A gente só diz: E Priu


Pra chamar é Dando Siu


Sem falar, Fica de Mal


Separar é Apartá


Desviar é Ataiá


E pra desmentir é Nego


Quem está desnorteado


Aqui se diz Ariado


E complicado é Nó Cego


Coisa fácil é Fichinha


Dose de cana é Lapada


Empurrão é Dá Peitada


E o banheiro é Casinha

 

Tudo pequeno é Cotoco


Vigi! Quer dizer, por pouco


Desde o tempo da senzala


Nessa terra nordestina


Seu menino, essa menina!


É assim que a gente fala

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publicado às 23:49


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